Alegria de outono

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Logo que começou a primavera, eu recebi a notícia de que estava grávida.

Estar grávida revirou um monte de coisas na minha vida, nos meus planos, nas minhas emoções, na minha razão, nos meus relacionamentos, na minha alimentação e por aí vai, é daquelas coisas da vida que chega e muda tudo, porque tem que mudar mesmo. Mas ao mesmo tempo, sabem como é “mudaram as estações, nada mudou”.

Agora começa o Outono, e ele já é diferente de todos os outros que vivi, estamos preparando as coisas para a chegada do bebê #1, o tempo todo pensando em um bebê que irá chegar no outono e se adaptar e conhecer este mundo em dias frios. A leve esfriada deste último final de semana encheu meu coração de alegria por este tempo que se aproxima.

(Recomendam que as grávidas escutem as Quatro estações de Vivaldi, e acabei me apegando especialmente a esta música )

Sobre as coisas

Eu lembro de uma das primeiras vezes que pensei sobre as coisas que nos rodeiam, eu tinha ido viajar de férias com minhas família (meus pais e meus dois irmãos) para a praia, e ficávamos numa colônia de férias em pequenas casas, que tinham dois quartos, um banheiro, uma pequena cozinha, uma sala e uma varandinha com rede. A casa era toda pintada de branco, sem quadros, com pé direito bem alto e inclinado junto com o telhado, e eu lembro da deliciosa sensação de liberdade que ter tão poucas coisas e tão poucos ambientes me causou, eu tinha uns 12 anos.

Não, eu não morava em uma mansão, mas tínhamos um quarto para cada filho, a suíte dos meus pais, mais um banheiro, uma cozinha e sala grandes, e uma biblioteca (pais estudiosos tem bibliotecas em casa). Um quintal agradável e dois cachorros.

Mas no verão seguinte, eu resolvi viajar com apenas a mochila que eu ia todo dia para escola com roupa, pouquíssima roupa que eu lavava todo dia conforme usava, e que vejam bem, voltei para casa com várias roupas sem usar da minha pequena mala, aquela sensação era deliciosa e de liberdade, e então eu comecei a pensar em tudo que eu tinha.

Isto já tem muito tempo, tive mais uma experiência muito boa sobre não ter quase nada durante um intercâmbio de 5 meses na Argentina, mas mesmo assim eu não sou uma pessoa minimalista hoje em dia.

E a verdade, é que eu não sei exatamente porque, eu adoro o tema, adoro o conceito, tento comprar poucas coisas, não ter nada repetido, mas se você olhar minha casa, você nunca dirá que sou minimalista.

Então, neste feriado, assisti o documentário finlandês My Stuff

devido a indicação do lindo site/blog Casa Chaucha.

Achei sensacional o projeto, e acompanhar o desenrolar dele, confesso que muitas vezes tenho este sentimento de sufocamento pelas coisas que possuo, e queria muito poder tirar tudo, e só colocar de volta o que não me cause esta sensação.

Conclusão, nenhuma, só queria juntar tudo isto por aqui, organizar minhas ideias e sentimentos sobre tudo isto.

Vou deixar então a conclusão do Petri:

“Possuir é uma responsabilidade e as coisas são um peso. Sou eu quem decido que tipo de peso quero carregar.”

surge de uma necessidade

Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério. Por isso, prezado senhor, eu não saberia dar nenhum conselho senão este: voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde vem a sua vida; nessa fonte o senhor encontrará a resposta para a questão de saber se precisa criar. Aceite-a como ela for, sem interpretá-la. Talvez ela revele que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso, aceite sua sorte e a suporte, com seu peso e sua grandeza, sem perguntar nunca pela recompensa que poderia vir de fora. Pois o criador tem de ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si mesmo e na natureza, da qual se aproximou.

Rilke – Cartas a um jovem poeta

Esther me emprestou este livro, como me emprestou eu não posso grifar, o que é uma coisa muito difícil, pois ele tem parágrafos inteiros dignos de serem grifados, como não posso grifar coloco aqui, como lembrete para quando devolver o livro.

Obsessões por um mundo invertido

Revelei um filme pb de 2013, com fotos feitas em Buenos Aires, Colonia del Sacramento, Punta del Este e Montevideu, com minha falecida Diana Mini, não é a primeira vez que deixo um filme esperando tanto tempo para ser revelado, mas desta vez foi mais engraçado ver o resultado, relembrar os passeios, e encontrei minha antiga obsessão com duplas exposições com a Diana (a coisa que eu mais amava nela), mas desta vez com várias com giro de 180º.

Adoro este processo de depois de um tempo observar quais eram as minhas obsessões especificas em algum registro fotográfico, como eu tentava muitas vezes a mesma técnica, ângulo, condição, até encontrar o que buscava, ou então não encontrando nunca e seguindo diante. Faz parte de entender meus processos internos.

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Bodas de algodão

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“Lievin estava no terceiro mês de casado. Era feliz, mas não como esperava, em absoluto. A cada novo passo, encontrava uma desilusão dos antigos sonhos e um novo encanto inesperado. Liévin era feliz, mas, uma vez iniciada sua vida familiar, percebia a cada passo que ela não era de maneira alguma aquilo que havia imaginado. A cada passo, experimentava o mesmo que um homem, depois de se encantar com o movimento suave e feliz de um barquinho sobre o lago, toma assento ele mesmo nesse barquinho. Liévin percebia que não bastava sentar-se reto para não balançar – era preciso ainda refletir, não esquecer nem por um minuto para onde navegar, não esquecer que sob os pés havia água, que era preciso remar e que as mãos, sem o hábito, doíam, que só olhar era fácil enquanto que fazê-lo, embora muito prazeroso, era também muito difícil.”

pag 475 (versão da Cosac Naify)

Anna Kariênina de Liev Tolstói

Eu poderia continuar colocando os próximos parágrafos, que são destes parágrafos sensacionais, bem escritos, que fazem a gente pensar e sempre me lembram que a boa literatura é autoajuda de longo prazo. Mas vou ficar apenas neste começo, para não cansar ninguém.

Li isto e me casei um ano e meio depois, reli estes dias, casada a dois anos, e foi muito mais profundo. Pensei que as vezes, é bom vermos o barquinho de fora também, para lembrarmos além da dor nas mãos que não estão habituadas.

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Minas em analógicas

Nos últimos tempos estiver duas vezes em Minas Gerais, uma na serra da canastra passeando e curtindo cachoeiras, e outra em Mariana com uma disciplina da graduação em uma viagem de estudos.

Nestas duas vezes usei bastante a câmera analógica, e estou gostando muito dos resultados, então, agora ta liberado presentes serem filmes analógicos 35mm ok?

As fotos deste post foram feitas com minha canon eos 300, lente 50mm 1.8 e filme kodak color plus ASA200

Eu adoro as cores e texturas, adoro como as poucas poses disponíveis refinam o que presto atenção, e gosto da qualidade grande da imagem, com um câmara tão leve.

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La boheme

Um sonho: ver uma Ópera CHECK

Em grandíssimo estilo, presente do Felipe pro meu aniversário, e foi simplesmente SENSACIONAL, pera, eu preciso dizer mais uma vez S E N S A C I O N A L.

Foi muito legal porque ele me deu de presente de aniversário junto com vários livros sobre ópera (ele sabe que sou a louca dos livros, e que sempre adoro mergulhar na escrita e na história de qualquer experiência). Foi muito legal porque foi no Theatro Municipal de São Paulo, e nos resolvemos nos entregar a experiência no máximo, nada de ar blasé, nos estávamos indo numa ópera sem medo de passar vergonha por usar um longo ou gravata borboleta, foi tipo, uma das coisas mais legais que nos fizemos, com direito a comida sensacional no final.

Sobre a ópera em si, a parte de cenários me conquistou do início ao fim, era tudo tão lindo, tão minimalista, tão rico, é muito difícil explicar, mas me emociono lembrando mais uma vez, foi uma experiência artística de altíssimo nível, dá até medo de ir ver outras óperas e me decepcionar, porque tenho certeza que comecei com padrões elevados.

Fotos analógicas desta experiência, é mais nos mesmos, 🙂

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Muito obrigada Amalia, pelas fotos!

Serra da Canastra

Continuamos ouvindo o chamado das montanhas (ou morros, já que aprendi que no Brasil não tem montanhas), e resolvemos ir acampar na Serra da Canastra 🙂

Três dias com o tempo lindo, cachoeira, cheiro do cerrado, muita paz e uma trilha sensacional (e difícil).

Ficamos hospedados no Camping da Picareta, lugar tranquilo, simples, com frequentadores com ótimo gosto musical. O que foi muito louco? Acordar na madrugada com a luz da lua cheia, quase ofuscando o olho, sair pra andar no meio da madrugada pelo camping vendo que lua cheia faz até sombra, com galera tocando violão e um clima muito fresquinho e gostoso.

A visita no parque nacional é obrigatória, fizemos a tal da trilha difícil, vimos lobo guará e a linda da Casca Danta 🙂

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Capão Forro, trilha fácil e três cachoeiras sensacionais 🙂

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Dica: Se fizer a trilha difícil, pode ir jantar no Recanto do Surubim, atendimento sensacional, comida melhor ainda (e eles dão uma mantinha se você estiver com frio).