Bodas de algodão

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“Lievin estava no terceiro mês de casado. Era feliz, mas não como esperava, em absoluto. A cada novo passo, encontrava uma desilusão dos antigos sonhos e um novo encanto inesperado. Liévin era feliz, mas, uma vez iniciada sua vida familiar, percebia a cada passo que ela não era de maneira alguma aquilo que havia imaginado. A cada passo, experimentava o mesmo que um homem, depois de se encantar com o movimento suave e feliz de um barquinho sobre o lago, toma assento ele mesmo nesse barquinho. Liévin percebia que não bastava sentar-se reto para não balançar – era preciso ainda refletir, não esquecer nem por um minuto para onde navegar, não esquecer que sob os pés havia água, que era preciso remar e que as mãos, sem o hábito, doíam, que só olhar era fácil enquanto que fazê-lo, embora muito prazeroso, era também muito difícil.”

pag 475 (versão da Cosac Naify)

Anna Kariênina de Liev Tolstói

Eu poderia continuar colocando os próximos parágrafos, que são destes parágrafos sensacionais, bem escritos, que fazem a gente pensar e sempre me lembram que a boa literatura é autoajuda de longo prazo. Mas vou ficar apenas neste começo, para não cansar ninguém.

Li isto e me casei um ano e meio depois, reli estes dias, casada a dois anos, e foi muito mais profundo. Pensei que as vezes, é bom vermos o barquinho de fora também, para lembrarmos além da dor nas mãos que não estão habituadas.

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Minas em analógicas

Nos últimos tempos estiver duas vezes em Minas Gerais, uma na serra da canastra passeando e curtindo cachoeiras, e outra em Mariana com uma disciplina da graduação em uma viagem de estudos.

Nestas duas vezes usei bastante a câmera analógica, e estou gostando muito dos resultados, então, agora ta liberado presentes serem filmes analógicos 35mm ok?

As fotos deste post foram feitas com minha canon eos 300, lente 50mm 1.8 e filme kodak color plus ASA200

Eu adoro as cores e texturas, adoro como as poucas poses disponíveis refinam o que presto atenção, e gosto da qualidade grande da imagem, com um câmara tão leve.

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La boheme

Um sonho: ver uma Ópera CHECK

Em grandíssimo estilo, presente do Felipe pro meu aniversário, e foi simplesmente SENSACIONAL, pera, eu preciso dizer mais uma vez S E N S A C I O N A L.

Foi muito legal porque ele me deu de presente de aniversário junto com vários livros sobre ópera (ele sabe que sou a louca dos livros, e que sempre adoro mergulhar na escrita e na história de qualquer experiência). Foi muito legal porque foi no Theatro Municipal de São Paulo, e nos resolvemos nos entregar a experiência no máximo, nada de ar blasé, nos estávamos indo numa ópera sem medo de passar vergonha por usar um longo ou gravata borboleta, foi tipo, uma das coisas mais legais que nos fizemos, com direito a comida sensacional no final.

Sobre a ópera em si, a parte de cenários me conquistou do início ao fim, era tudo tão lindo, tão minimalista, tão rico, é muito difícil explicar, mas me emociono lembrando mais uma vez, foi uma experiência artística de altíssimo nível, dá até medo de ir ver outras óperas e me decepcionar, porque tenho certeza que comecei com padrões elevados.

Fotos analógicas desta experiência, é mais nos mesmos, 🙂

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Muito obrigada Amalia, pelas fotos!

Serra da Canastra

Continuamos ouvindo o chamado das montanhas (ou morros, já que aprendi que no Brasil não tem montanhas), e resolvemos ir acampar na Serra da Canastra 🙂

Três dias com o tempo lindo, cachoeira, cheiro do cerrado, muita paz e uma trilha sensacional (e difícil).

Ficamos hospedados no Camping da Picareta, lugar tranquilo, simples, com frequentadores com ótimo gosto musical. O que foi muito louco? Acordar na madrugada com a luz da lua cheia, quase ofuscando o olho, sair pra andar no meio da madrugada pelo camping vendo que lua cheia faz até sombra, com galera tocando violão e um clima muito fresquinho e gostoso.

A visita no parque nacional é obrigatória, fizemos a tal da trilha difícil, vimos lobo guará e a linda da Casca Danta 🙂

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Capão Forro, trilha fácil e três cachoeiras sensacionais 🙂

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Dica: Se fizer a trilha difícil, pode ir jantar no Recanto do Surubim, atendimento sensacional, comida melhor ainda (e eles dão uma mantinha se você estiver com frio).

 

Andanças

Feriado à vista, vou falar um pouco dos últimos dois.

Estamos por aqui em um clima: menos celebrações/encontros que envolvam comida ou consumo. Colocamos isto em prática nos últimos dois feriados com duas trilhas/caminhadas em um raio de 150 km de Campinas SP.

No carnaval tentamos fazer a trilha das sete quedas, porém não encontramos o início da trilha e acabamos subindo por uma estrada de terra margeada por plantações e vistas da Serra da Mantiqueira

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a recompensa veio na forma de uma água deliciosa 🙂 A sétima queda

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Na páscoa quis conhecer as trilhas da Fazenda Ipanema, eu tinha ido a trabalho, e fiquei deslumbrada com a Unidade de Conservação. Não teve chuva, teve mate, cachorrinha fofa, e o cheiro de cerrado é sensacional 🙂

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E pra completar uma voltinha pela primeira siderúrgica da América. 2016-03-26 064.jpg2016-03-26 090.jpg

Nos links vocês encontram mais informações 😉

Fotos de celular ou Canon G12

 

Auto avaliação

(Um parenthesis antes de inciar, frequentei escolas construtivistas até a 8ª série, este rolê de auto-avaliação é algo que quase corre na veia, então segue aqui uma auto-avaliação meio auto entrevista para vocês saberem que nem só de insatisfações foi o projeto.)

Janelas que dão para outras Campinas. 

Este projeto, desenvolvido de Junho – Novembro de 2015, foi possível graças ao 5º Edital da Bolsa Aluno Artista do SAE – UNICAMP.

A ideia: fotografar Campinas e fazer cartões postais.

O objetivo: conhecer mais a cidade de Campinas fotografando-a, criar relações de afeto, estender este convite a outras pessoas.

O objetivo foi alcançado? Sim

O que deu errado? Não ter conseguido autorização da EMDEC para levar os cartões para os terminais de ônibus urbano.

Porque o cartão postal? Porque é um objeto pequeno, um souvenir, algo que compramos de lugares que gostamos, ou que mandamos para outras pessoas para mostrar lugares onde fomos, Campinas não tem quase nenhum apelo turístico, e os cartões postais dialogam de maneira chocante com as paisagens de uma cidade que parece ter um moral muito baixa.

A parte mais legal? Difícil pensar em uma só, mas com certeza uma delas foi ao estar fotografando a cidade durante a noite ter conhecido o @matheusfernandest que estava andando de skate, conversamos sobre o projeto, sobre a cidade, ele me ajudou com uma foto, e me deu dicas de outros lugares para fotografar. Isto me leva a pensar que a interação com as pessoas foi uma parte sensacional do projeto, estar aberta a isto, convidar outra pessoa estar comigo no projeto, compartilhar a ideia, discutir, foi muito crescimento.

Desafio? Vários, mas um notável foi vencer o medo em algumas situações. Outro foi estabelecer uma metodologia.

Algo surpreendente? O tanto de lugar legal que tem nesta cidade. Eu realmente passei a gostar muito mais de Campinas depois desta experiência, e foi muito legal ver os espaços públicos sendo utlizados.

Para ver mais do projeto aqui.

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1ª Série de cartões postais – Vila São João
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2ª Série de cartões postais – Estação Cultura – Túnel de pedestres
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3ª Série de cartões postais – Coreto da Praça Carlos Gomes
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4ª série de cartões postais – vista velada da catedral Metropolitana de campinas

 

 

De 96 cartões produzidos em 4 séries de 24 cada, foi difícil escolher uma de cada, mas fiz aí minha escolha. Abaixo tem metade dos cartões, uma folha de contato de cada série, só para passar uma ideia do geral.

Cada série teve uma leitura e olhar diferente do que buscávamos na cidade, a parte de edição teve uma importância bem grande também.

 

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Insatisfação

“Nenhum artista tem satisfação”

Martha Graham

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Martha Graham’s advice to fellow dancer & choreographer Agnes de Mille via Miranda July.

É engraçado como as coisas funcionam, eu estou aqui lutando desde dezembro do ano passado em como lidar com um projeto que chegou ao fim. Vou confessar que foi difícil ver o resultado, a sensação é que eu queria fazer mais uma vez, para ter a experiência de ter feito e os recursos de tempo e dinheiro para poder fazer tudo mais uma vez, mas não é assim que a vida funciona.

Foi um projeto que nasceu de dentro de mim, eu sonhei com muitas coisas juntas, queria fotografar a cidade em que resido há mais de 15 anos, queria conhecer mais desta cidade, queria encontrar afetos (de certa maneira o nome deste blog nasceu do processo de pensar e escrever este projeto) por aqui, queria fotografar melhor, queria espalhar isto tudo por aí, e nos 40 – 60 dias que duraram este processo de maturação do projeto, tudo foi se descortinando diante dos meus olhos, não parecia tanto uma elaboração, mas sim uma descoberta, uma descoberta do que exatamente eu deveria fazer e então ser sincera.

Nasceu com um nome longo “Janelas que dão para outras Campinas”, a ideia porém era simples, fotografar a cidade de Campinas, transformar em cartões postais e espalha-los por aí, ajudando as pessoas a verem outras possibilidades nesta cidade que sempre parece tão desprezível nas minhas aulas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Acho que a verdade mais profunda era esta, no ambiente acadêmico em que estou, o olhar sobre a minha atual cidade sempre foi desinteressado ou duro, eu queria uma possibilidade de mudar isto, mas acho que é assunto para outro texto.

Eis que o projeto ganhou a possibilidade de existir, e junto nisto se somou uma pessoa que agregou muito ao projeto e à minha vida também, a Má, que já apareceu aqui outras vezes. Mas de certa forma a ideia nasceu dentro de mim, e esta relação teve vários momentos conturbados, a relação com a ideia do projeto foi difícil, em muitos momentos senti vergonha dele, em outros não me senti capaz.

Mas saímos, fotografamos, conversamos, editamos, e a coisa foi andando. Expor a primeira leva de cartões foi árduo, é como se expor, e isto não é fácil, mas então vem a satisfação no olhar dos outros, a surpresa, o encantamento, o questionamento… E então vem a aceitação de que este tipo de trabalho é um dialogo com o público, expor alimenta o processo criativo, ao invés de colocar um fim a ele.

Mas (quantos mas?), aprendi que ver satisfação no olhar dos outros é muito diferente de encontrar satisfação na sua própria obra. Foi minha primeira experiência nesta proporção, e eu estava me sentindo perdida com este sentimento de insatisfação, mas então li este texto hoje (graças a linda da Paula que eu nem conheço mas considero pakas) e ele me ajudou a entender que está tudo bem se você não está satisfeito. Talvez tudo isto faça parte do processo criativo, que quase sempre é um processo de inquietações e insatisfações.

Pois bem, abraço a insatisfação.

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O que é ser um bom amante?

O amor parece não pertencer àquele grupo seleto de atividades que a pessoa desempenha tanto melhor quanto menos pensa e pratica. Mas, se parece aconselhável ter algum preparo,  que exatamente  deveríamos praticar? E o que tudo isso tem a ver com arte?

Saber amar é diferente de admirar. (…) É aí que precisamos recorrer a qualidades que raramente brotam de modo natural e quase sempre requerem alguma prática: capacidade de ouvir devidamente o outro, paciência, curiosidade, flexibilidade, sensualidade e razão.

Alain de Botton e John Armstrong – Arte como terapia

Das coisas que a internet dá

Estamos aqui, temos certeza que este role de worl wide WILD web é dahora, mas tem vezes que eu fico grata de um jeito especial…

Receita de pinterest, aquela coisa que todo mundo pina, ou é muito difícil, ou nunca fazemos, mas eu fiz o tal sorvete de banana, é tipo receita pra fazer com crianças:

Descasque e pique a banana madura (quantas você quiser/tiver)

Coloque no congelador por no mínimo 24 horas (na verdade eu nunca testei com menos)

Bata no processador de alimentos com aquela lâmina grandona

Já era maravilha, aí, hoje eu tava com muita vontade de chocolate, e lembrei das bananas no congelador, e resolvi juntar. Foi muita alegria, tomar sorvete sem um monte de gordura, sem passar mal (tenho problemas com derivados de leite), e a textura é maravilhosa, sério!

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