Resoluções

Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração.
Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.
Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: “Retornem ao pó, seres humanos! “
De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.
Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer;
germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.
Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.
Conheces as nossas iniqüidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.
Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio.
Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido.
Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!
Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.
Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!
Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!

Salmos 90:1-17

Quaresma e minha utopia minimalista

A quaresma estava para começar e eu estava saturada de precisar de coisas, de procurar preços, opções e ponderar, ponderar, ponderar. A cada compra online uma enxurrada de emoções, muitas vezes um sentimento de culpa.

Cortemos a cena e vamos para 40 dias antes da quaresma começar, eu estava me mudando de país, em família, com duas crianças pequenas. As demandas existiam aos montes, as reais, as burocráticas, as emocionais, etc, etc, etc. O dia anterior a nossa viagem eu passei esvaziando a casa na qual morei nos meus últimos cinco anos, meus primeiros cinco anos de casada, levando dali 6 malas com o que iria com a gente, deixando alguns caixotes guardados, mas precisando me desfazer da maior parte de tudo aquilo, foi uma montanha russa de emoções naquele dia, mas o sentimento dominante do dia e das última semanas era de desespero por ter tantas coisas. Naquele dia eu precise de um milagre e muitos amigos, foi exatamente o que eu tive, graças a Deus!

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A questão é que o desespero por ter coisas sempre foi presente na minha vida, sei que tenho alguns textos sobre isso aqui nesse blog, devo ter outros em outros lugares.  Eu sempre via isso como um medo de me tornar materialista, de dar mais importância a coisas que a Deus, pessoas, experiências, etc e tal. No meio disso tudo sempre admirei o minimalismo, aquela liberdade de não possuir nada, sendo que eu nunca fui capaz de ser minimalista (e sempre tive um pouco de frustração com isso). Nessa quaresma eu descobri que esse meu medo escondia um desejo no meu coração tão pecaminoso quanto idolatrar coisas.

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“(…) o sentimento ilusório de que é bom para nós estarmos sós — é um sintoma espiritual ruim; assim como a falta de apetite é um sintoma médico ruim porque nós realmente precisamos de comida (…) todo nosso ser é uma vasta necessidade por sua própria natureza; incompleta, preparatória, vazia ainda que desordenada, que clama por Ele, que é capaz de desatar aquilo que está com um amontoado de nós e de atar as coisas que ainda estejam desconectadas.” C.S. Lewis em Os quatro Amores

No meio de toda aquela exaustão, a quaresma estava para começar, eu decidi que iria me abster de fazer compras onlines. Achava que havia algo de muito errado com todos meus sentimentos no meio disso tudo, mas não sabia se esse era um jejum válido, eu claramente não estava abrindo mão de algo que me dava alegria, mas eu queria abrir esse espaço para Deus na minha vida, desesperadamente. Foi maravilhoso.

Deus falou comigo no meio disso tudo, falou comigo nas leituras, e então eu fui entendendo que todo meu fascínio com o minimalismo e toda minha frustração ao precisar de coisas eram sinais claros que eu queria ir contra a minha natureza humana idealizada por Deus na criação, fui criada com necessidades. Tão obvio, mas quando caiu a cortina e eu percebi tudo foi uma entrada de ar fresco que trouxe um novo fôlego e um novo descanso. Fui criada para precisar de Deus, para precisar de outras pessoas, de comida, de trabalho, tudo isso coisas muito boas que existiam desde antes da queda. O minimalismo eram então minha utopia, a visão de uma vida perfeita. Eu queria o minimalismo, não para ter menos coisas e para ter mais Deus, eu queria não precisar de nada, inclusive de Deus.

Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a sua boca, e eu a encherei. Salmo 81:10

Todo meu cansaço, não era sinal de uma alma elevada que não precisa de nada, mas o contrário, o sinal de uma alma que precisa de coisas mas que não queria precisar, que queria ser igual a Deus. Agora sei que posso descansar em Deus, que nEle é onde devo buscar refúgio e onde devo ordenar minhas necessidades.

Essa é a estratégia do diabo para nos pegar. Ele sempre envia ao mundo erros aos pares – pares de opostos. E sempre nos estimula a desperdiçar um tempo precioso na tentativa de adivinhar qual deles é o pior. Sabe por quê? Ele usa o fato de você abominar um deles para levá-lo para aos poucos a cair no extremo oposto. Mas não nos deixemos enganar. Temos de manter os olhos fixos em nosso objetivo, que está bem à nossa frente, e passar reto no meio de ambos erros. Nem um nem outro nos interessam.”

C.S. Lewis, em “Cristianismo Puro e Simples

Assim cheguei na Páscoa, com a certeza que em Deus está minha salvação,  em Cristo encontro a água da vida!

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As fotos são do processo de esvaziamento da casa amarela de tijolinhos, por exceção desta logo acima, que é uma casa aqui em Amsterdam.

Mas a foto que eu mais queria colocar, eu não fiz! Nas primeiras semanas aqui visitamos um espaço de criação, com aquele clássico visual de ateliê com muitos materiais e ferramentas, que mãos habilidosas são capazes de transformar em coisas incríveis, mas que é uma das coisas mais distantes da minha antiga utopia de minimalismo. Lembro de ficar olhando para aquilo, e além do maravilhamento por tudo que havia sido feito e ver o lugar, eu pensava no tanto de material e ferramenta que eu tinha que foi embora (a maioria em boas e habilidosas mãos graças a Deus), e como que um ambiente desses era necessário para criar estas coisas tão especiais, que é parte da nossa semelhança com Deus. Ficam então duas fotos das obras.

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Entre dois aniversários

Foi entre o aniversário do Felipe dia 29.07.2019 e meu aniversário 08.01.2020 que nos ficamos nos despedindo das pessoas, eu obviamente só percebi isso quando acabou a minha festa de aniversário inventada de última hora, que eu só tive coragem de fazer porque o motivo era o aniversário, e não a despedida. Mas que eu só fiz pois queria me despedir de todo mundo, uma última vez.

O engraçado, ou não, é que eu não queria contar logo para as pessoas da mudança, mas então, em um café despretensioso com amigos, na semana que tomamos a decisão de ir, veio a pergunta: “E os planos de vocês de mudar para fora do Brasil?” Eu e Felipe nos olhamos e eu comecei a chorar. Eu não queria viver todo esse tempo com esse tema da mudança encobrindo tudo. Estava grávida, queria cuidar do ninho e me concentrar no que estava vivendo de único naquele momento. Acho que por fim consegui isso. Foram quase seis meses em que quase nada acontecia sobre a mudança, até que cataplofete tudo aconteceu de uma vez só em 2 semanas, foi uma loucura, mas parece que também foi exatamente do jeito que deveria ser.

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Era uma vez uma casa amarela

de tijolinhos, em uma esquina

Cedeu solo para gente fincar o pé, semear, cultivar e saber para onde voltar.

Nos abrigou dos intempéries noivos, casados, grávidos, uma família de 3, uma família de 4.

Viu o ordinário dos dias, brindes, mesa cheia, orações, encontros e desencontros.

Nos envolveu, e agora depois de todo esse cuidado, nos des-envolvemos, e seguimos adiante.

 

Fotos feitas lá em Outubro, Lúcia tinha 16 dias de vida, e já sabíamos que iriamos desmontar aquele lar, nossa amiga Dan veio fazer umas fotos.

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Calor no coração vendo estas fotos, mas sabendo que nosso verdadeiro Lar não está aqui.

Lá vamos nos cultivar mais um lar temporário.

Brilho nos olhos

A primeira vez que lembro de ter vontade de ser mãe, ou melhor, de ter filhos, eu estava em Mar del Plata, tinha 24 anos e estava longe de casa já tinham alguns meses. Eu vi uma mãe e um filho sentados em um café conversando, o menino parecia ter uns 11 anos, eu vi aquela cena e tive saudade das muitas conversas que já tive com meus pais, mas também tive vontade de estar no lugar da mulher, ela tinha um brilho nos olhos que é a única coisa que lembro com nitidez daquela cena.

Agora tenho 30 anos, uma filha de dois com quem já posso conversar, e outro dia ela estava falando alguma coisa e eu fiquei maravilhada pela lógica e eloquência dela, e então parei de prestar atenção, fiquei só ali olhando e maravilhada de pensar como que um ser que eu vi nascer tão pequeno já podia estar diante de mim falando coisas tão extraordinárias. Quando ela parou de falar eu não podia responder nada para ela, só pude dizer que eu a amava e que ela era uma filhotinha. E então eu me lembrei das muitas vezes que estava conversando com meus pais, e percebia que eles não estavam na conversa, porque de repente eles começavam a falar de como gostavam de mim, ou coisas assim, e eu ficava meio brava e irritada.

É assim, agora entendo aquele brilho nos olhos, ele era mesmo especial.

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23:00

Dessa vez ninguém anunciou a hora, nós só ouvimos um chorinho e então veio um corpinho quente e úmido para o meu colo. Felipe estava segurando a minha mão e chorou dizendo que dessa vez ele tinha errado, e a Joana estava certa, era uma menina.

Uma menina, nossa Lúcia!

“Ela nasceu onde morar era…”

Nasceu em casa a Lúcia. Foi tão bom!

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PRÉ-PARTO

Mas porque em casa? Veja bem, esta história começa quando eu estava grávida da Joana, e ao pensar no parto minha vontade era estar em casa sozinha com o Felipe, eu não tinha vontade de dividir este momento com mais ninguém, mas achava este meu sentimento muito primitivo/animal. Ao questionarmos a médica do pré natal da Joana sobre parto em caso, eu entendi que era uma coisa ilegal no Brasil, e então saiu de cogitação para nós. Seguimos o pré natal normalmente e por fim chegando a 42 semanas de gestação internamos para uma indução do parto. Tudo seguiu protocolos claros, fui tratada com respeito, porem o desfecho quase dramático me deixou várias questões, várias delas intelectuais e emocionais.

Quando uma amiga engravidou, fui emprestar livros para ela sobre maternidade, bebês e etc, e percebi que eu havia lido apenas um livro sobre parto, o qual eu não tinha gostado muito. Ao engravidar pela segunda vez, decidi que queria saber mais sobre o parto, porque queria entender melhor as coisas que tinham acontecido da primeira vez e estar mais preparada, nesse processo eu descobri muitas coisas sobre mim mesma, sobre parto em geral, sobre coisas que aconteceram no parto da Joana e tudo isso foi me aproximando de um parto domiciliar. Eu entendi que várias coisas que aconteceram com a Joana foram efeitos colaterais da anestesia e da indução. Entendi que minha vontade de estar em casa, de estar quieta, era algo hormonal e natural para este momento, principalmente quando pensamos em nós como mamíferas, como é o parto das outras mamíferas? Elas se refugiam, cavam buracos, se afastam dos outros, é um movimento natural este de se recolher. Foi um processo de aceitação, de aceitar e entender como tinha sido meu outro parto, de nomear o que eu não tinha gostado, de nomear quem tinha cuidado de mim naquele processo, um olhar integral. Aceitar minha vontade, meu corpo, minha natureza.

E isto tudo entremeado com um dos aspectos que mais me afastava de um parto domiciliar, ter que escolher uma equipe. Pensar nesse processo de conhecer pessoas, avaliar se estaria a vontade com elas, avaliar valores, avaliar preparo técnico me parecia tão difícil. Mas orientados por nossa querida doula Lívia fomos para uma roda de conversa sobre parto domiciliar promovido por uma das equipes da região, e foi sensacional. Foi muito bom não estar ali sozinha para ter que fazer perguntas, foi legal ouvir angustias de outros casais, ter mais elementos para ponderar e pensar.

Depois de entender todas as margens de seguranças necessárias para um parto domiciliar, entender qual o trabalho da equipe, não tínhamos nenhum motivo para não querer um parto domiciliar. Escolhemos a mesma equipe na primeira roda que fomos, e então seguimos os protocolos normais de pré-natal. Nisso tudo, tivemos zero vontade de sair compartilhando que faríamos parto domiciliar, foi um processo longo, envolveu estudo e no tanto de coisas que tínhamos para fazer, não queríamos gastar energia explicando uma escolha tão incomum nos dias de hoje.

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Foram passando as semanas, as lista de itens para o parto domiciliar com tudo check, e eu pensava o que estava por vir, meu maior medo era viver outra indução. Pesquisei em artigos científicos e nos relatos de partos querendo saber qual era a estatística, o que costumava acontecer nos partos de uma mulher que já havia vivido uma indução. E bem, encontrei pouca coisa confiável. Não sabia muito o que esperar, minha sensação era de não conhecer meu corpo e de não me conhecer. Assim eu alternava em momentos de estar aberta a aceitar o que viesse, e em momentos de ter claro o que eu queria.

Uma coisa muito legal da equipe que escolhemos, é que elas faziam o pré-natal coletivo. Então toda semana nos encontrávamos com mulheres que estavam em idade gestacional próxima, e antes da consulta individual havia um momento de partilha sobre expectativas, ansiedades e outros sentimentos. E acabávamos ouvindo relatos dos partos de quem não estava mais indo aos encontros. E eram histórias tão diversas, as vezes até mesmo para cada mulher que de fato havia tido um parto bem diferente do outro, que eu pedia a Deus para viver o que devesse viver com total entrega e paz.

Mas eu tinha lá minhas certezas, uma delas era que o parto seria apenas aos finais de semana, porque durante a semana eu ficava muitas horas sozinha com a Joana e achava que nunca aconteceria assim.

E assim, quando chegou as 40 semanas, eu criei coragem de admitir que eu não queria chegar nas 41. Eu achava que chegaria, mas eu não queria. Eu tinha certeza que chegaria, mas eu não queria. Eu falei pro Felipe. Eu orei. Eu orei mais uma vez. Eu orei várias vezes. Eu falei para os meus pais e isso iniciou uma longa conversa que envolveu choro e pedido de perdão.

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Era segunda-feira, acabou o final de semana, o bebê não tinha nascido ainda, e eu não queria que chegassem as 41 semanas, mas no próximo final de semana já seriam as 41 e eu tinha certeza que iriamos até o próximo final de semana. Mas eu comecei a sentir algumas contrações, fui tomar banho, estava confusa do que estava sentindo, com medo de ser coisa da minha cabeça, e Felipe saiu para caminhar com a Joana. Aproveitei e descansei, pensei que se fosse algo acontecendo era bom descansar. Não era nada. No final da manhã tínhamos uma avaliação com a acupunturista, para conversar sobre indução do parto e talvez já fazer uma sessão. Conversamos, entendemos como funcionava, e decidimos já fazer uma sessão. Foi tão bom, relaxei tanto. Quando acabou buscamos a Joana com a minha mãe e decidimos ir no cinema. Durante o filme eu senti mais algumas ondas/contrações mas nada com ritmo. Voltamos para casa e jantamos pizza e fomos dormir. Dormi super bem.

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Chegou a terça-feira, decidi passar o dia na casa da minha mãe, seria um bom descanso, e minha vó estava lá. Me fez um prato de batatinha frita 🙂  Depois do almoço, quando fui ao banheiro notei que o tampão mucoso estava saindo, avisei apenas o Felipe pois não queria alimentar ansiedade de ninguém, menos ainda a minha e segui a vida normalmente. Mais um noite que dormi bem.

Chegou a quarta-feira, decidi passar a manhã na casa da minha mãe junto com a minha vó. Depois do almoço vim para casa com a Joana, ela tirou uma soneca e eu deitei para dormir um pouco também.

PARTO

Acordei 15:00 da tarde com uma onda/contração, além disso uma louca vontade de comer doce, fiz um brigadeiro com cacau e comi uma parte. Fiquei um tempo sozinha tentando entender o que estava acontecendo, até que 15:30 a Joana acordou também. Expliquei para ela que as vezes eu ia ter que parar para respirar e ajudar o bebê a nascer. Ela entendeu e assim passamos o resto da tarde dando uma arrumada na casa, fazendo atividade de cortar e colar e um lanchinho, no meio disso tudo eu olhava pro relógio para ir tendo uma ideia de quanto em quanto tempo estavam vindo as ondas/contrações. Estavam durando pouco tempo mas vindo até que bem próximas. Avisei a Lívia (doula), mas ainda estava bem incerta se estava acontecendo mesmo, e não queria companhia, preferia estar sozinha e poder prestar atenção no que acontecia comigo.

Quando deu umas 17:00 entrei no banho com a Joana e as ondas/contrações continuaram, naquele momento entendi que já era o parto mesmo acontecendo (normalmente as ondas/contrações de pródromos param durante o banho), logo o Felipe chegou e tirou a Joana e eu fiquei mais um tempo ali, comecei então a fazer a visualização das flores de abrindo a cada onda/contração e a orar pedindo ajuda para Deus para tudo que eu tinha que viver e para me ajudar neste processo de abertura. Quando deu umas 17:40 eu sai do banho, avisei a equipe de enfermeiras obstetras do que estava acontecendo e fui me arrumar, colocar algumas coisas no lugar. Quando deu 18:00 lembro que olhar para o relógio durante a onda/contração me deixou irritada, não queria mais ficar controlando, pedi pro Felipe começar a fazer com o aplicativo. Então acendi a vela de lavanda, o incenso de lavanda, coloquei óleo de lavanda pela casa toda, percebi que precisava me centrar mais. Eu que adoro andar descalça quis ficar o tempo todo de chinelo e de meia. As coisas estavam realmente diferentes.

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Eu precisava parar a cada onda/contração e nisso o Felipe e a Joana me ajudavam com massagem, eu me apoiava na parede, no sofá onde fosse e pensava nas flores de abrindo enquanto fazia a respiração. Tenho uma alegria grande de lembrar destes momentos! Depois a Lívia chegou, ficou um tempo observando meu movimento e a frequência das contrações e me falou que eu estava em trabalho de parto latente. Resolvemos então ajeitar a janta, eu voltei pro banho e Lívia e Joana arrumaram um macarrão com molho a bolognesa que eu repeti umas 3 vezes, lembro de falar que queria comer mais mas que não sabia se era uma boa ideia e da Lívia dizendo que se eu queria iria me fazer bem. Nesse momento do jantar as coisas deram uma desacelerada. Mas em uma onda/contração que me ajoelhei no chão, lembro de ter certeza que a presença da Joana já estava um pouco delicada, pedi para a minha mãe buscar a Joana, e nisso já eram umas 20:00 da noite.

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Depois fui para o quarto descansar um pouco, lembro que fiquei na posição genupeitoral na cama, apoiada com travesseiros porque achei que estava um pouco rápido demais e lembrei que no livro Parto Ativo a Janet indicava estava posição quando sentíssemos que estava muito rápido e quiséssemos descansar. Fiquei ali um bom tempo, aceitando as ondas/contrações, respirando, descansando. No escuro, apenas com a vela de lavanda acesa, o Felipe fazendo massagem e a Lívia tão quieta que por muito tempo nem soube que ela estava no quarto (e meu quarto é bem pequeno). Depois de um tempo assim, achei que eu queria a banheira, mas tinha que fazer tudo, inflar a banheira e encher de água. Enquanto o Felipe a Lívia faziam isso eu voltei para mais um banho.

Durante este banho fiquei quase o tempo todo de quatro, apoiada em um banquinho, me entreguei tudo que pude, lembro de vocalizar em alguns momentos, respirar muito e então começar a sentir coisas muito intensas, percebi que estava na fase de transição (em que você dilata os últimos centímetros), dizem que é o momento de maior intensidade e ali me entreguei tudo que pude, sabia que logo depois tudo se acalmaria. De repente veio uma vontade de fazer força, achei que era muito cedo. Resolvi sair do banho, faltava muito ainda para terminar de arrumar a banheira, lembro que demorei umas 4 ou 5 contrações para chegar até o quarto e pela primeira vez eu sai do banho e não me preocupei de vestir o biquíni como das outras vezes, lembro que pensei que as coisas deviam estar chegando ao fim quando percebi que não me incomodava com minha nudez mais. No meio do caminho até do banho até o quarto concordamos que as parteiras/enfermeiras podiam vir, eram 21:30.

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No quarto mais uma vez voltei para a posição genupeitoral apoiada nos travesseiros, a Lívia trouxe mais algumas almofadas da sala pare eu ficar mais alta e ali me fez muita massagem. Quando deu 22:00 a Fernanda (enfermeira obstetra/parteira) chegou, e um pouco depois que ela chegou, durante uma onda/contração eu senti algo diferente e ouvi um crack, foi ali que começou o expulsivo. Eu quis sair daquela posição que estava, acabei ficando de quatro apoiada na bola de pilates. Então tudo ficou bem mais tranquilo, veio uma paz, uma sensação muito boa. A cada onda/contração a cabeça do bebê ia quase tudo e voltava. Nisso a Fernanda acompanhando o batimento cardíaco e eu seguindo de quatro apoios, eu nunca havia imaginado que ficaria nessa posição. Durou um bom tempo, então em algum momento eu pensei que deveria buscar uma posição mais verticalizada para ajudar o bebê a nascer, nessa busca minha perna tremia muito, odiei a banqueta, não conseguia ficar apoiada no Felipe. Por sugestão da Fernanda deitei na cama de lado e segurei a perna, a posição em si era bem menos confortável que ficar de quatro apoios, porém foi ali que em dois ou três puxos a Lúcia nasceu. Eram 23:00 horas.

(E aqui aproveito para comentar algo que me surpreendeu depois ao lembrar do parto, durante a gestação eu fiquei muito de cocoras, fazia esta posição na pratica de exercícios, usava ela para dar banho na Joana, tentava ficar muito tempo mesmo, sabia que era uma boa posição para parir, mas durante o trabalho de parto em nenhum momento eu quis ficar assim ou me lembrei dessa posição, eu apenas me lembrava desta genupeitoral e da posição de quatro, quando a Lúcia nasceu, junto com a cabeça veio um braço dela, e a Lívia comentou comigo depois que se eu estivesse de cocoras provavelmente teria tido alguma laceração. )

PUERPÉRIO

Que momento maravilhoso. Logo já vimos que era uma menina, o Felipe chorou falando que tinha errado e que a Joana tinha acertado, e assim recebi aquele corpinho quentinho e que parecia tão pequenino no meu colo. Lúcia logo mamou e ficamos ali admirados e muitos felizes. Eu me apoiei melhor na cama. Ela nasceu na minha cama, e eu juro que mesmo decidindo por um parto domiciliar eu não tinha refletido muito sobre o fato de dar a luz na minha própria cama. Foi sim maravilhoso, lembrar disso me aquece tanto o coração. E vale citar que o cheiro do parto é maravilhoso e também muito viciante.

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Fiquei ali por um bom tempo, senti mais algumas contrações para parir a placenta e não saia, precisamos fazer ocitocina de profilaxia e descobrimos que era uma placenta muito grande que não saia porque eu estava muito recostada. Lúcia foi pesada, avaliada, tudo ótimo. Eu fui avaliada, tudo ótimo também, nenhuma laceração.

Eram 2:00 da manhã e a equipe foi embora, ficamos então só nos três. Lúcia dormindo profundamente, logo Felipe dormiu e eu era incapaz de dormir, a energia do parto não é algo que vai embora tão rápido assim.

No dia seguinte logo pela manhã a Joana veio conhecer a Lúcia, que momento lindo lindo de termos vivido. Minha mãe veio, depois meu pai e também a mãe e irmão do Felipe. Estar em casa também foi maravilhoso neste momento, ter este ambiente em que se pode descansar, estar em silêncio, e viver estes encontros e reconhecimentos com calma e como parte extraordinária da vida.

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E aí eu fiquei matutando se devia escrever este relato de parto, porque escrever, a partir de que ponto da história começar a contar etc e tal, e resolvi escrever a partir do ponto que eu mais gostaria de saber, porque foi sabendo de algumas outras histórias que aumentei meu conhecimento e também aceitação com esta ideia, que parece meio louca mesmo a principio, mas que não tem nada de louca, é sim seguro, é possível sem ambulância na porta, e pode ser muito mais tranquilo para diversas mulheres.

Eu não cheguei nesse parto sozinha, muita gente para agradecer!

Aos meus pais pela vida, à minha mãe pelas suas histórias de parto que me deram tanta força. À minha vó pelo prato de batatinhas.

Ao Felipe, por fazer filhos comigo e estar aberto a mergulhar nisso tudo com profundidade.

À Lívia por ter nos guiado neste caminho e nos levado até as Auroras, e às Auroras Fer e Lilian por toda assistência e cuidado!

Às minhas amigues  por tanta escuta, troca, sorrisos, lágrimas e troca real nesse processo de maternidade. À Amanda também 🙂

À Pri Akemi por me fazer pensar sobre minha imagem e semelhança com Deus através da maternidade.

E a Ju, minha vizinha, que me contou como se sentia em pé na feira, carregando sua caçulinha e me ajudou muito mais do que ela pode imaginar.

À Janet Balaskas por ter escrito este lindo livro do Parto Ativo. E a Eliana Rigol do @maternitylivre pelo workshop gratuito de parto (não fiz o pago, mas deve ser sensacional também).

 

 

Advento

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Coroa do advento do Natal de 2017 na IPBG

 

O Natal está chegando, mas antes do Natal vem o tempo de espera pelo Natal, o Advento! Conheço esta expressão tem alguns anos já, desde que me converti, e frequentando uma igreja presbiteriana vi uma coroa do advento ser montada e a cada domingo para o natal, uma vela a mais ser acesa. Um simbolo tão bonito, algo para nos ajudar a ver a passagem do tempo, a luz que se torna cada vez maior e a refletir nessa espera.

 

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Então, depois que a Joana chegou, comecei a pensar mais sobre estes momentos, estes rituais que nos ensinam tanta coisa. E na busca por entender e conhecer mais no ano passado desenhei um presépio para ser “customizado” pelas crianças. Mas me encantei muito com uma tradição chamada A árvore de Jessé, que é uma árvore decorativa usada durante o Advento para recontar a história da Bíblia que leva ao nascimento de Jesus, e encontrei também uma chamada a A árvore de Jesus, que foi elaborada pela Rachel Chaney em 2012, com um foco maior na história de Jesus ao longo de toda a bíblia. Então para este ano consegui junto com auxílio de muitas outras pessoas tornar este material disponível em português!

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Ilustração do Thiago Costa

Você pode baixar o devocional A Árvore de Jesus para impressão ou leitura na web mesmo aqui, e a proposta é você decorar uma árvore com algum enfeite que simbolize a mensagem do dia, se quiser algo já pronto tem as ilustrações de Esther Bley 

Esperamos que este material possa abençoar muitas famílias e crianças, ao criar um ambiente de espera que nos lembre qual a verdadeira alegria e significado do Natal!

 

Que mãe eu quero ser?

04102019-IMG_7407.jpg(Eu já comecei a escrever este texto várias vezes, uma das coisas que me impedem de escrever mais aqui na internet é o fato de mudar/ampliar minhas ideias e visões, isso em muitos momentos me impedem de compartilhar as reflexões, sinto que preciso de algum tempo ruminando e meditando, e em se tratando de maternidade, sinto que preciso encontrar o tom certo de compartilhar algumas ideias, e tenho percebido que a 1ª pessoa é o tom ideal para mim, ele já começa mostrando que estou falando apenas do meu ponto de vista, com a minha voz, que são únicos, mas que podem te ajudar a ampliar o seu, ou mudar de ideia, ou começar um dialogo comigo e me ajudar nesta construção.) 

Quando me vi grávida da Joana, depois de superar o susto inicial, a primeira questão que veio de dentro foi “Que mãe eu quero ser?”. Essa questão me levou, e continua a me levar a reflexões muito intensas e profundas, principalmente porque um pouco depois dessa questão surgir, observando uma jovem mãe eu percebi que a mãe que eu seria, seria parte da pessoa que sou, e expandir a questão para “Que pessoa eu quero ser?” foi uma profunda mudança de chave do que eu vinha vivendo até então. Até então eu estava construindo um futuro, uma profissão, buscando meu diploma, casada, com amigos, frequentando uma igreja, e em muitas decisões que eu tomava poucas vezes me perguntava que tipo de pessoa aquilo me levaria a ser, mas ao mesmo tempo eu já sabia que cada escolha minha poderia mudar meu coração, mudar a essência de quem eu era.

Mas então, me ver responsável pela formação de outro ser humano me fez dar alguns passos atrás para entender melhor essa questão, para olhar minha vida e entender quem eu era, para onde estava caminhando, e que tipo de ser humano eu gostaria de estar educando. O que eu queria ensinar para essa pessoa? Como ensinar algo que eu não sei/sou?

Não foi fácil, não é fácil. É mega cansativo em muitos momentos, e então eu percebi como esse processo de amadurecimento é o que nos leva a nos tornarmos adultos, no sentindo de sabermos nossos limites e responsabilidades frentes as questões da vida. Tem sido o maior aprendizado que a maternidade tem me trazido, ao mesmo tempo que tem sido sim uma revolução na minha vida em muitas áreas, acho que a última vez que tanta coisa mudou foi quando me converti ao cristianismo, fui impactada por um amor e graça que simplesmente muita coisa não podia continuar como estava. Desta vez, considero obra divina toda esse movimento da parte de dentro que tem transbordado para tantas áreas da minha vida.

E hoje, que a Joana já tem mais de 2 anos e já tem seus momentos de independência, eu comecei a vislumbrar outro lado desta questão, a pessoa que eu sou, a adulta que eu sou não coloca uma resposta final em quem a Joana é, em quem ela será. Bem obvio quando escrito, mas nada simples de lidar no dia a dia. Ela é outra pessoa, uma criança em desenvolvimento, meu papel no nosso relacionamento é de ser a adulta da questão, é de saber colocar os limites, colocar o alimento na mesa, observar e suprir necessidades, e a lista continua. Eis então o já anunciado desafio, minha dose de responsabilidade e limite dentro desta relação, minha consciência de qual parte esta sob meu controle e qual não está.

E parece que é bem fácil perder de vista os dois pontos da questão, ser negligente com as responsabilidades e ultrapassar os limites me tornando controladora ao mesmo tempo. Saber discernir cada um destes pontos tem sido pedido de oração constante, tem sido o que tem motivado a busca por tanto conhecimento. O que permeia cada pequena situação corriqueira como uma refeição, até as grandes decisões, como a escola. Até o momento a parte mais difícil tem sido as pequenas e corriqueiras situações, aqueles em que os nossos hábitos, humor e nível de energia  parecem contribuir muito mais do que as nossas ideias, ideais e teorias, e por isso mesmo parecem tão difíceis de serem controladas e realmente transformadas.

Outono – inverno 2019

Acho que foram os 6 meses mais difíceis da minha vida, eu nunca tive que ser tão adulta, tão responsável por escolhas, por escolhas difíceis, ao mesmo tempo que me vi tão fragilizada em alguns momentos,  mas pela primeira vez fazer esta retrospectiva de fotos me ajudou a ver a beleza dos dias no meio de coisas difíceis. Teve um momento destes meses que tive que aceitar minha postura e papel na vida, e então traçar novos caminhos pela minha própria força, foi tão necessário, ao mesmo tempo em que precisei de muito esforço para algumas frases da oração “(…) seja feita a Tua vontade (…) pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre”, um caminho que precisava trilhar de autonomia e dependência. As coisas ficaram mais fáceis, e os dias mais frescos, e então fazer escolhas e continuar a ser a adulta ficou bem menos pesado.

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Ensaio de primavera

Começou nossa primavera no hemisfério sul, e então eu lembrei que este ano nos já vivemos uma primavera, de lá para cá quanta coisa aconteceu, quanta coisa cresceu!

E la estamos nos, em mais uma primavera a iniciar.

Foi uma viagem longa, mas foi no tempo de respeitar o tempo de uma criança de quase dois anos e uma grávida recém saída do primeiro trimestre, foi no nosso tempo. Foi na casa de amigos e familiares, foi impressionante ver uma natureza que se transforma tanto no espaço de um mês. Foram dias bonitos.

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