Que mãe eu quero ser?

04102019-IMG_7407.jpg(Eu já comecei a escrever este texto várias vezes, uma das coisas que me impedem de escrever mais aqui na internet é o fato de mudar/ampliar minhas ideias e visões, isso em muitos momentos me impedem de compartilhar as reflexões, sinto que preciso de algum tempo ruminando e meditando, e em se tratando de maternidade, sinto que preciso encontrar o tom certo de compartilhar algumas ideias, e tenho percebido que a 1ª pessoa é o tom ideal para mim, ele já começa mostrando que estou falando apenas do meu ponto de vista, com a minha voz, que são únicos, mas que podem te ajudar a ampliar o seu, ou mudar de ideia, ou começar um dialogo comigo e me ajudar nesta construção.) 

Quando me vi grávida da Joana, depois de superar o susto inicial, a primeira questão que veio de dentro foi “Que mãe eu quero ser?”. Essa questão me levou, e continua a me levar a reflexões muito intensas e profundas, principalmente porque um pouco depois dessa questão surgir, observando uma jovem mãe eu percebi que a mãe que eu seria, seria parte da pessoa que sou, e expandir a questão para “Que pessoa eu quero ser?” foi uma profunda mudança de chave do que eu vinha vivendo até então. Até então eu estava construindo um futuro, uma profissão, buscando meu diploma, casada, com amigos, frequentando uma igreja, e em muitas decisões que eu tomava poucas vezes me perguntava que tipo de pessoa aquilo me levaria a ser, mas ao mesmo tempo eu já sabia que cada escolha minha poderia mudar meu coração, mudar a essência de quem eu era.

Mas então, me ver responsável pela formação de outro ser humano me fez dar alguns passos atrás para entender melhor essa questão, para olhar minha vida e entender quem eu era, para onde estava caminhando, e que tipo de ser humano eu gostaria de estar educando. O que eu queria ensinar para essa pessoa? Como ensinar algo que eu não sei/sou?

Não foi fácil, não é fácil. É mega cansativo em muitos momentos, e então eu percebi como esse processo de amadurecimento é o que nos leva a nos tornarmos adultos, no sentindo de sabermos nossos limites e responsabilidades frentes as questões da vida. Tem sido o maior aprendizado que a maternidade tem me trazido, ao mesmo tempo que tem sido sim uma revolução na minha vida em muitas áreas, acho que a última vez que tanta coisa mudou foi quando me converti ao cristianismo, fui impactada por um amor e graça que simplesmente muita coisa não podia continuar como estava. Desta vez, considero obra divina toda esse movimento da parte de dentro que tem transbordado para tantas áreas da minha vida.

E hoje, que a Joana já tem mais de 2 anos e já tem seus momentos de independência, eu comecei a vislumbrar outro lado desta questão, a pessoa que eu sou, a adulta que eu sou não coloca uma resposta final em quem a Joana é, em quem ela será. Bem obvio quando escrito, mas nada simples de lidar no dia a dia. Ela é outra pessoa, uma criança em desenvolvimento, meu papel no nosso relacionamento é de ser a adulta da questão, é de saber colocar os limites, colocar o alimento na mesa, observar e suprir necessidades, e a lista continua. Eis então o já anunciado desafio, minha dose de responsabilidade e limite dentro desta relação, minha consciência de qual parte esta sob meu controle e qual não está.

E parece que é bem fácil perder de vista os dois pontos da questão, ser negligente com as responsabilidades e ultrapassar os limites me tornando controladora ao mesmo tempo. Saber discernir cada um destes pontos tem sido pedido de oração constante, tem sido o que tem motivado a busca por tanto conhecimento. O que permeia cada pequena situação corriqueira como uma refeição, até as grandes decisões, como a escola. Até o momento a parte mais difícil tem sido as pequenas e corriqueiras situações, aqueles em que os nossos hábitos, humor e nível de energia  parecem contribuir muito mais do que as nossas ideias, ideais e teorias, e por isso mesmo parecem tão difíceis de serem controladas e realmente transformadas.

Outono – inverno 2019

Acho que foram os 6 meses mais difíceis da minha vida, eu nunca tive que ser tão adulta, tão responsável por escolhas, por escolhas difíceis, ao mesmo tempo que me vi tão fragilizada em alguns momentos,  mas pela primeira vez fazer esta retrospectiva de fotos me ajudou a ver a beleza dos dias no meio de coisas difíceis. Teve um momento destes meses que tive que aceitar minha postura e papel na vida, e então traçar novos caminhos pela minha própria força, foi tão necessário, ao mesmo tempo em que precisei de muito esforço para algumas frases da oração “(…) seja feita a Tua vontade (…) pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre”, um caminho que precisava trilhar de autonomia e dependência. As coisas ficaram mais fáceis, e os dias mais frescos, e então fazer escolhas e continuar a ser a adulta ficou bem menos pesado.

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Ensaio de primavera

Começou nossa primavera no hemisfério sul, e então eu lembrei que este ano nos já vivemos uma primavera, de lá para cá quanta coisa aconteceu, quanta coisa cresceu!

E la estamos nos, em mais uma primavera a iniciar.

Foi uma viagem longa, mas foi no tempo de respeitar o tempo de uma criança de quase dois anos e uma grávida recém saída do primeiro trimestre, foi no nosso tempo. Foi na casa de amigos e familiares, foi impressionante ver uma natureza que se transforma tanto no espaço de um mês. Foram dias bonitos.

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Antes que venha a próxima primavera

Eu gosto muito deste espaço virtual, e estava bem triste de não ter feito meu compilado de fotos da primavera verão 2018-2019, como gosto deste exercício, sempre falo mas é sempre verdade, parar e olhar o que aconteceu, o que mudou, onde chegamos, não coloco todas as fotos aqui, mas adoro olhar minhas fotos e ter este contato com elas! Logo muda mais uma estação, e já é primavera mais uma vez.

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Festejos de 2 anos

Ano passado teve festa, festão para nossos conceitos, foi uma delícia! Porém este ano ao pensar em como seria e em qual o estágio a Joana está, a ideia de repetir a festa não pareceu muito boa, queríamos algo diferente, que fossem menos pessoas, que tivesse a oportunidade de criar memórias, de estreitar alguns laços, que fosse mais simples também.

Pensando, pensando e pensando decidimos convidar os avós e os tios para um picnic no tradicional Parque Taquaral de Campinas, fazer um passeio de bondinho, dar uma volta na caravela e então vir almoçar em casa e depois cantar um parabéns, foi delicioso!

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Foram os primeiros brigadeiros da Joana, e eu decidi que eu tinha que fazer hehe, foi o primeiro bolo assim de festa também, e ela gostou mais do morango do que do resto!

Criamos ótimos memórias com pessoas que ela ama e que amam ela, e isso tudo foi o mais legal ❤

 

 

Primeiros mil dias a des-envolver-se

Querida Joana,

Últimos dias do outono, me alegro vendo um Ipê rosa florido, aprecio as mexerica suculentas e tudo isso faz meu coração dar uma pequena palpitada, foram assim os primeiros dias logo que você chegou. Dias desse céu azul, dias que comecei a te conhecer para além dos chutinhos que eu sentia dentro de mim. E estamos aí, nessa caminhada de 2 anos de você do lado de fora, e dos seus primeiros 1000 dias, os dias dentro e os dias fora da barriga.

Dizem que estes primeiros mil dias são os mais importantes em vários aspectos do desenvolvimento de um ser humano. E outro dia sua avó me falou algo muito legal sobre esta palavra, des-envolver, deixar de estar envolvido, eu olho e vejo que é isto mesmo. Deixou de estar envolvida pelo útero e pala placenta e está cada vez menos envolvida em mim e no seu pai, mais solta de nós. Já faz quase tudo que as pessoas tinham uma ansiedade enorme para você fizesse, seu tio Andre começou a me perguntar se você andava quando tinha uns 15 dias, seu pai queria muito que você falasse, sua avó queria te levar pro parquinho e a lista pode continuar por várias e várias linhas, e agora é isso, parte destas coisas você já faz sozinha, sem a necessidade de eu estar envolta de você.

Tem sido maravilhoso e desafiador acompanhar este movimento, tem me feito reformular muita coisa do lado de fora e do lado de dentro. Não sei como sentirei nos próximos anos, mas hoje sinto que ainda é brusca a mudança dos momentos que você precisa estar envolta dos que você precisa estar sozinha, mas vejo uma consciência cada vez maior sua das diferenças destes momentos.

E o que eu desejo nestes seus dois anos? Desejo que você tenha a volta outras pessoas para quem olhar e encontrar exemplos e apoio, desejo que eu e seu pai saibamos discernir bem este processo, sem sufocar e sem desamparar, desejo que mais que tudo Deus continue te protegendo e guiando nesta caminhada só sua.

Com carinho,

da sua mãe.

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Práticas devocionais e minha experiência pessoal

Estou aqui celebrando mais um aniversário, não meu, mas de um habito que venho alimentando.

Eu sou cristã, frequento uma igreja protestante desde os 16 anos (quando me converti) e de lá para cá já tive diferentes experiencias com o que chamamos de devocional, que são exercícios da nossa fé no nosso cotidiano (minha definição bem simples). Conforme fui mudando, crescendo, amadurecendo por incrível que pareça chegou um momento em que manter este habito parecia algo incrivelmente difícil de ser levado adiante, o que me causava uma angustia. Nos, cristãos protestantes, acreditamos que isto sustenta nossa vida espiritual juntamente com a comunhão na igreja.

Chegou um momento, 2 anos atrás, que uma amiga indicou uma página do facebook, a página do Lecionário, e naquele momento, um pouco antes ou depois da Pascoa, eu baixei o folheto com as indicações das leituras e iniciei uma nova caminhada na minha vida devocional. Está sendo transformador, nem todos os dias eu li, na época estava já no final da gestação da Joana, então posso dizer que até mesmo nem todas as semanas, porém me  lembro claramente da sensação de maravilhamento daquelas leituras de antigo testamento, novo testamento e os salmos conectados com o tema da pascoa, seguido daquela sensação de eureca inicial, este ferramenta tem aberto grandes espaços na minha vida para o trabalho de Deus. 

(Se você quiser entender mais sobre o Lecionário, recomendo a leitura deste texto aqui.)

Desde então a parte que mudou completamente minha relação pessoal e espiritual foram os Salmos, eu achava eles muito difíceis, e desde que havia lido o livro “Lendo os Salmos” do CS Lewis que eu vinha buscando uma nova relação com esta parte da bíblia, mas sem grandes progressos. Mas a repetição da leitura dos Salmos proposta pelo Lecionário e sua conexão com o restante da bíblia tem sido o maior ganho ao longo deste caminho.

Os humanos são anfíbios – metade animais, metade espíritos (…) Como espíritos, pertencem à eternidade, mas como animais, habitam a temporalidade. Isso significa que, enquanto seus espíritos podem ser direcionados para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e sua imaginação estão em constante mudança – pois estar ligado a temporalidade significa passar por mudanças.

Neste processo em vários momentos me lembrava do trecho acima de Cartas de um diabo a seu aprendiz, do C.S. Lewis, que me trouxe uma nova visão sobre minha natureza, pois além deste ganho mais palpável intelectualmente em relação aos salmos, também ganhei e devo dizer ganhamos, estendendo para minha família, uma nova dimensão do tempo. O Lecionário organiza suas leituras de acordo com o ano cristão, então na leituras e reflexões estamos com o advento, o natal, a quaresma e a pascoa no coração e na mente. Esta nova dimensão do tempo, do ritmo, afetou nossas percepções dos afazeres cotidianos, das celebrações e como guardar o coração em meio a tudo que nos é apresentado exteriormente nestas estações. 

O que me faz retornar ao começo, a sensação de peso com as práticas devocionais se devia a quantas partes da minha vida estavam completamente desalinhadas com aquele momento. E não que hoje estejam todas completamente alinhadas, mas pela graça de Deus hoje eu quero que estejam.

Banca F I N A L

Chegou o dia, 13 de Dezembro de 2018, dia da Banca final de um processo que começou em março de 2011 (inicio da graduação de Arquitetura e Urbanismo), ou em março de 2018? ou em janeiro de 1989 (quando nasci)? Quando dizemos que algo começou? Quando decidir que acabou?

Este final está com um baita sabor agridoce, além de tantas questões da vida entrelaçadas com isto, tem também a sensação estranha que é chegar ao fim de algo tão grande e deixar morrer todas as outras coisas que poderiam ter sido. É uma especie de luto também. E estou aqui terminando a apresentação que farei em algumas horas e me deu vontade de escrever, de organizar os sentimentos, as ideias e os argumentos.

Argumentos iniciais

“O ato de habitar é o modo básico de alguém se relacionar com o mundo”

Juhani Pallasmaa

Todos moramos em algum lugar, é nossa segunda casca, logo após as nossas roupas. Como moramos é como nos relacionamos com o mundo. Esta é uma questão de relevância universal.

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“Quando o envelhecimento é aceito como um êxito, o aproveitamento da competência, experiência e dos recursos humanos dos grupos mais velhos é assumido com naturalidade, como uma vantagem para o crescimento de sociedades humanas maduras e plenamente integradas.”
Art 6º Plano de Madri 2002

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Qual o lugar para as pessoas idosas na nossa sociedade? Como esta relação começa dentro das suas próprias casas?

ARQUITETURA

O problema

Como pensar no usuário principal de um espaço sendo o idoso afeta as estratégias de projeto?

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Esta é uma abordagem importante, porém ela foca muito no que falta no idoso, comparado com uma pessoa jovem em plena capacidade, e não oferece exatamente uma visão humanizadora para o espaço, para agregar esta qualidade ao projeto recorri ao livro Uma Linguagem de Padrões, de Christopher Alexsander, por sugestão dos professores na primeira banca, e assim construí uma linguagem especifica para este caso, adaptando alguns dos padrões e criando outros para este caso especifico.

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Uma referência em termos de programa, de perfil de usuário e de questões legais, foi o programa do Estado de São Paulo Vila Dignidade, que junto a diversos outros programas faz parte do Sp Amigo do Idoso, que visa aumentar a qualidade de vida e garantir direitos básicos a idosos em situação de risco e vulnerabilidade.

A foto abaixo foi tirada em uma visita da Vila Dignidade de Limeira em Julho de 2018, e a visita trouxe importantes contribuições para entender esta realidade.

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E então nasceu o programa para a Vila das Andorinhas

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E por fim a implantação:

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A casa

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Ou Isto ou Aquilo

Cecília Meireles

Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

Flores e frutos

As bodas

Cada aniversário de casamento, ou bodas, tem um nome. Papel, algodão, trigo e flores e frutas foram as que já comemoramos.

E nas duas últimas eu achei os simbolismos muito apropriados. Na nossa bodas de trigo, tínhamos uma bebê de um pouco menos de 2 meses nos braços, e toda a intensidade que acompanha este inicio. Quando soube que o tema da bodas era trigo, logo lembrei das palavras do meu Mestre

“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer; dá muito fruto” (Jo 12.24)

E achei que isto combinava muito com o que vivíamos, tanto em nível individual quanto do nosso relacionamento, uma parte morre para poder dar frutos. E bem, talvez muita gente ache esta imagem horrível, em se tratando do campo romântico parece que as pessoas tem horror a mudanças – ainda mais se são consequências de filhos- e temos que manter acesa a “chama do inicio”, não consigo lembrar se já fui destas pessoas que possuía este horror, mas hoje eu não acredito em um amor, seja romântico ou não, que não mude com o tempo, e também não acredito na imagem dos bebês vampiros que tanto fazem propaganda por aí.

E chegamos a este ano, em que celebramos bodas de Flores e Frutas. Nosso aniversário de casamento é nas últimas semanas do inverno, em um inverno tropical onde nesta época eu já via várias coisas florescendo a nossa volta, e posso dizer que nós também. Meu profundo sentimento é de frutificação e multiplicação em muitos aspectos da vida. É uma fase tão bonita! Nunca imaginei ter estes sentimentos, atrelados com coisas tão ordinárias e ao mesmo tempo tão espirituais.

Flores e frutos, montanhas e mares
Sol, lua, estrelas nos céus a brilhar;
Tudo criaste na terra e nos ares
Todo o universo vem pois te louvar

Hino 32

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A árvore

E então chego na história desta árvore aqui, Felipe e eu caminhávamos, ainda namorados, e encontramos um antigo pé de pitanga com pitangas maravilhosas! Elas eram mais escuras que as pitangas normais, e muito mais doces. Comemos várias e guardamos as sementes. Felipe germinou as sementes, plantou em caixinhas de suco e de leite, deu algumas de presente de natal (inclusive no amigo secreto da família), e alguns meses depois veio nosso casamento. Bem, os pés de pitanga que ficaram com ele foram meio esquecidos na loucura que antecede um casamento e da mudança, e então encontrei um deles que ainda estava vivo. Criei coragem de plantá-lo no jardim da casa que alugamos. Alguns meses depois abrigamos o Popper, que acabou pisando e quebrando o galho da mudinha. E mais alguns meses o Popper nos deixa, e então a pitanga renasce. E com todos estes acontecimentos, de 2013 para cá, este foi o ano da primeira safra desta pitangueira, que nasceu de uma semente que precisou morrer para frutificar. Tão corriqueiro, tão comum, tão extraordinário.

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Foi uma colheita deliciosa. Está sendo. E sim, estou preocupada com a situação política do país, mas ainda sim, há razões.