galhos secos e brotos novos

*Texto escrito em 26.09.2017

Título original: 365 dias

Foi uma segunda-feira de manhã. No domingo a noite uma amiga me perguntou se estávamos planejando ter filhos, eu falei que agora não, mas que queria lidar melhor com a ideia da maternidade. E enquanto falava isto, pensava na minha menstruação atrasada alguns dias e tentava não pensar.

Acordei segunda, e estava atrasada 5 dias, nunca tinha atrasado tanto, resolvemos comprar um teste farmácia, eu pensava que estava estressada e devia ser isto, que o teste ia me ajudar a tranquilizar. Mas o teste ficou com os dois riscos visíveis. Eu chorei.

A verdade é que desde que me tornar mãe passou a ser uma realidade possível na minha vida, isto sempre me amedrontou. Eu percebi dentro de mim muitos sentimentos avessos a ideia da maternidade, podia enumerar vários medos, ao mesmo tempo que tinha uma grande intuição que estes sentimentos eram um reflexo bem ruim de como a sociedade em que vivo trata o feminino e a família. Era assustador me ver tão influenciada por estas ideias.

Mas sim, elas me influenciavam, e sim, quando vi o sinal de positivo no teste eu chorei, e não foi de alegria.

Mas meu choro não tinha relação alguma com minha filha. Hoje eu entendo tudo isto tão claramente. Todos os sentimentos e pensamento eram muito mais relacionados com meus padrões de sucesso, e alguns valores em lugares errados.


Continuação 17.11.2017

galhos secos e brotos novos, foram fotos que fiz quando estava inundada por estes pensamento sobre o aniversário da descoberta da gravidez, a natureza ao me redor me falava tanta coisa!

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Amor-Doação

“(…) é um Amor-Doação, mas um Amor-Doação que precisa dar; portanto, precisa ser necessário. Mas a finalidade própria do ato de dar é deixar a pessoa que recebe num estado em que ela não precise mais de nossa doação. Nós alimentamos nossos filhos para que em breve eles sejam capazes de se alimentar sozinhos; ensinamo-los para que em breve não precisem mais de nossos ensinamentos. A missão desse Amor-Doação, portanto, é difícil. Ele precisa trabalhar para sua própria abdicação. Somos obrigados a nos tornar supérfluos. Nossa recompensa é o momento em que podemos dizer: “Eles não precisam mais de mim.” Mas o instinto, quando simplesmente em sua própria natureza, não tem o poder de cumprir essa lei. O instinto deseja o bem de seu objeto, mas não é tão simples – somente o bem que ele próprio pode dar. Um amor superior – o amor que deseja o bem do objeto como tal, qualquer que seja a origem do bem – deve intervir e ajudar ou controlar o instinto antes que a abdicação seja possível.  E é claro que muitas vezes isso acontece. ”

C.S. Lewis, no capítulo em que trata sobre a afeição, no livro  Os quatro amores  (pag 71 e 72 da 2ª edição)

Esta está sendo uma das leituras no tempo certo da vida, uma leitura sobre os quatro amores em um momento que experimento um dos amores inexplicáveis da vida!

10:59

“Uma voz forte e grave anuncia:

-10:59

Um tímido choro ecoa pela sala

O médico pergunta:

-Posso te dizer o que é?

-Claro!

-É menina!

Nos dois choramos de mãos dadas”

Isto foi o que aconteceu exatamente no instante que a Joana chegou. Nos ainda não sabíamos que ela era a Joana, eu ainda sabia muito pouco sobre a minha filha.

As fotos que estão aqui contam do dia antes deste dia e do dia em si, de todo longo trajeto que foi a chegada dela.

Então eu penso nos 60 e tantos dias que se passaram desde então, e parece que foi muito mais, parece que já foi uma vida inteira, e olhar para ela me faz pensar na vida inteira que ainda temos pela frente.

Meu irmão me perguntou: “como é ser mãe?”. Eu desconversei, falei que era uma pergunta difícil… Mas pensei, pensei, pensei, escrevi no meu diário, e continuei pensando em muitos momentos que a Joana estava no meu colo.

Até agora para mim ser mãe, é ter uma ideia de futuro e continuidade que eu nunca tinha tido antes na vida, eu olho para a Joana e penso nos dias que estão por vir, na esperança do amanhã, e encontro um grande desafio, o de ansiar mais pelo Reino do meu Salvador, isto nunca pareceu tão difícil!

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nove longos meses

“O mundo poderá se transformar. Chegaremos a Marte, Júpiter ou Netuno, mas necessitaremo sempre de nove longos meses para gerar nossos filhos, de outros nove meses para que comecem a se deslocar com autonomia e de longuíssimos anos para que sejam capazes de enfrentar o mundo sem a ajuda dos pais.”

A maternidade e o encontro com a própria sombra – Laura Gutman

40 semanas

Chegamos nas 40 semanas, e o bebê ainda está tranquilo, esperando seu tempo para chegar, enquanto isto eu estou editando as fotos destas 40 semanas e colocando no álbum do flickr, se vou acabar antes da chegada do bebê? Veremos 🙂

Clicando na foto você vai para o álbum!

“Corajoso é aquele que se comporta como deve”

“(…)

-E ele era corajoso? – perguntei.

-Deus é testemunha: ia sempre na frente; onde houvesse luta, lá estava ele.

-Então parece que era corajoso mesmo – disse eu.

-Não, meter-se onde não é chamado não quer dizer que seja corajoso…

-E o que o senhor entende por corajoso?

-Corajoso? Corajoso? – repetiu o capitão, com ar de uma pessoa que, pela primeira vez, se faz tal pergunta – Corajoso é aquele que se comporta como deve – respondeu, depois de pensar um pouco.

Lembrei que Platão define coragem como o conhecimento do que é preciso e não é preciso temer, e apesar da generalidade e da vagueza da definição do capitão, achei que a ideia fundamental de ambos não era tão diferente como podia parecer e que a definição do capitão era até mais correta do que a do filósofo grego, porque, se ele pudesse se expressar como Platão, certamente diria que corajoso é aquele que teme apenas aquilo que é preciso temer, e não o que não é preciso temer.

Senti vontade de explicar minha ideia ao capitão.

-Sim, disse eu. – Parece-me que em toda situação de perigo há uma escolha, e a escolha feita sob influência, por exemplo, do sentimento de dever é coragem, e a escolha feita sob influência de um sentimento baixo é covardia; por isso um homem que, por vaidade, ou por curiosidade, ou por cobiça, arrisca a própria vida não pode ser chamado de corajoso e, ao contrário, um homem que, sob influência de um puro sentimento familiar de responsabilidade ou simplesmente de crença, renuncia um perigo não pode ser chamado de covarde.

(…)”

A incursão (conto) – Liev Tolstoi

Contos Completos

Alegria de outono

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Logo que começou a primavera, eu recebi a notícia de que estava grávida.

Estar grávida revirou um monte de coisas na minha vida, nos meus planos, nas minhas emoções, na minha razão, nos meus relacionamentos, na minha alimentação e por aí vai, é daquelas coisas da vida que chega e muda tudo, porque tem que mudar mesmo. Mas ao mesmo tempo, sabem como é “mudaram as estações, nada mudou”.

Agora começa o Outono, e ele já é diferente de todos os outros que vivi, estamos preparando as coisas para a chegada do bebê #1, o tempo todo pensando em um bebê que irá chegar no outono e se adaptar e conhecer este mundo em dias frios. A leve esfriada deste último final de semana encheu meu coração de alegria por este tempo que se aproxima.

(Recomendam que as grávidas escutem as Quatro estações de Vivaldi, e acabei me apegando especialmente a esta música )

Sobre as coisas

Eu lembro de uma das primeiras vezes que pensei sobre as coisas que nos rodeiam, eu tinha ido viajar de férias com minhas família (meus pais e meus dois irmãos) para a praia, e ficávamos numa colônia de férias em pequenas casas, que tinham dois quartos, um banheiro, uma pequena cozinha, uma sala e uma varandinha com rede. A casa era toda pintada de branco, sem quadros, com pé direito bem alto e inclinado junto com o telhado, e eu lembro da deliciosa sensação de liberdade que ter tão poucas coisas e tão poucos ambientes me causou, eu tinha uns 12 anos.

Não, eu não morava em uma mansão, mas tínhamos um quarto para cada filho, a suíte dos meus pais, mais um banheiro, uma cozinha e sala grandes, e uma biblioteca (pais estudiosos tem bibliotecas em casa). Um quintal agradável e dois cachorros.

Mas no verão seguinte, eu resolvi viajar com apenas a mochila que eu ia todo dia para escola com roupa, pouquíssima roupa que eu lavava todo dia conforme usava, e que vejam bem, voltei para casa com várias roupas sem usar da minha pequena mala, aquela sensação era deliciosa e de liberdade, e então eu comecei a pensar em tudo que eu tinha.

Isto já tem muito tempo, tive mais uma experiência muito boa sobre não ter quase nada durante um intercâmbio de 5 meses na Argentina, mas mesmo assim eu não sou uma pessoa minimalista hoje em dia.

E a verdade, é que eu não sei exatamente porque, eu adoro o tema, adoro o conceito, tento comprar poucas coisas, não ter nada repetido, mas se você olhar minha casa, você nunca dirá que sou minimalista.

Então, neste feriado, assisti o documentário finlandês My Stuff

devido a indicação do lindo site/blog Casa Chaucha.

Achei sensacional o projeto, e acompanhar o desenrolar dele, confesso que muitas vezes tenho este sentimento de sufocamento pelas coisas que possuo, e queria muito poder tirar tudo, e só colocar de volta o que não me cause esta sensação.

Conclusão, nenhuma, só queria juntar tudo isto por aqui, organizar minhas ideias e sentimentos sobre tudo isto.

Vou deixar então a conclusão do Petri:

“Possuir é uma responsabilidade e as coisas são um peso. Sou eu quem decido que tipo de peso quero carregar.”

surge de uma necessidade

Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério. Por isso, prezado senhor, eu não saberia dar nenhum conselho senão este: voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde vem a sua vida; nessa fonte o senhor encontrará a resposta para a questão de saber se precisa criar. Aceite-a como ela for, sem interpretá-la. Talvez ela revele que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso, aceite sua sorte e a suporte, com seu peso e sua grandeza, sem perguntar nunca pela recompensa que poderia vir de fora. Pois o criador tem de ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si mesmo e na natureza, da qual se aproximou.

Rilke – Cartas a um jovem poeta

Esther me emprestou este livro, como me emprestou eu não posso grifar, o que é uma coisa muito difícil, pois ele tem parágrafos inteiros dignos de serem grifados, como não posso grifar coloco aqui, como lembrete para quando devolver o livro.

Obsessões por um mundo invertido

Revelei um filme pb de 2013, com fotos feitas em Buenos Aires, Colonia del Sacramento, Punta del Este e Montevideu, com minha falecida Diana Mini, não é a primeira vez que deixo um filme esperando tanto tempo para ser revelado, mas desta vez foi mais engraçado ver o resultado, relembrar os passeios, e encontrei minha antiga obsessão com duplas exposições com a Diana (a coisa que eu mais amava nela), mas desta vez com várias com giro de 180º.

Adoro este processo de depois de um tempo observar quais eram as minhas obsessões especificas em algum registro fotográfico, como eu tentava muitas vezes a mesma técnica, ângulo, condição, até encontrar o que buscava, ou então não encontrando nunca e seguindo diante. Faz parte de entender meus processos internos.

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