Práticas devocionais e minha experiência pessoal

Estou aqui celebrando mais um aniversário, não meu, mas de um habito que venho alimentando.

Eu sou cristã, frequento uma igreja protestante desde os 16 anos (quando me converti) e de lá para cá já tive diferentes experiencias com o que chamamos de devocional, que são exercícios da nossa fé no nosso cotidiano (minha definição bem simples). Conforme fui mudando, crescendo, amadurecendo por incrível que pareça chegou um momento em que manter este habito parecia algo incrivelmente difícil de ser levado adiante, o que me causava uma angustia. Nos, cristãos protestantes, acreditamos que isto sustenta nossa vida espiritual juntamente com a comunhão na igreja.

Chegou um momento, 2 anos atrás, que uma amiga indicou uma página do facebook, a página do Lecionário, e naquele momento, um pouco antes ou depois da Pascoa, eu baixei o folheto com as indicações das leituras e iniciei uma nova caminhada na minha vida devocional. Está sendo transformador, nem todos os dias eu li, na época estava já no final da gestação da Joana, então posso dizer que até mesmo nem todas as semanas, porém me  lembro claramente da sensação de maravilhamento daquelas leituras de antigo testamento, novo testamento e os salmos conectados com o tema da pascoa, seguido daquela sensação de eureca inicial, este ferramenta tem aberto grandes espaços na minha vida para o trabalho de Deus. 

(Se você quiser entender mais sobre o Lecionário, recomendo a leitura deste texto aqui.)

Desde então a parte que mudou completamente minha relação pessoal e espiritual foram os Salmos, eu achava eles muito difíceis, e desde que havia lido o livro “Lendo os Salmos” do CS Lewis que eu vinha buscando uma nova relação com esta parte da bíblia, mas sem grandes progressos. Mas a repetição da leitura dos Salmos proposta pelo Lecionário e sua conexão com o restante da bíblia tem sido o maior ganho ao longo deste caminho.

Os humanos são anfíbios – metade animais, metade espíritos (…) Como espíritos, pertencem à eternidade, mas como animais, habitam a temporalidade. Isso significa que, enquanto seus espíritos podem ser direcionados para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e sua imaginação estão em constante mudança – pois estar ligado a temporalidade significa passar por mudanças.

Neste processo em vários momentos me lembrava do trecho acima de Cartas de um diabo a seu aprendiz, do C.S. Lewis, que me trouxe uma nova visão sobre minha natureza, pois além deste ganho mais palpável intelectualmente em relação aos salmos, também ganhei e devo dizer ganhamos, estendendo para minha família, uma nova dimensão do tempo. O Lecionário organiza suas leituras de acordo com o ano cristão, então na leituras e reflexões estamos com o advento, o natal, a quaresma e a pascoa no coração e na mente. Esta nova dimensão do tempo, do ritmo, afetou nossas percepções dos afazeres cotidianos, das celebrações e como guardar o coração em meio a tudo que nos é apresentado exteriormente nestas estações. 

O que me faz retornar ao começo, a sensação de peso com as práticas devocionais se devia a quantas partes da minha vida estavam completamente desalinhadas com aquele momento. E não que hoje estejam todas completamente alinhadas, mas pela graça de Deus hoje eu quero que estejam.

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