Flores e frutos

As bodas

Cada aniversário de casamento, ou bodas, tem um nome. Papel, algodão, trigo e flores e frutas foram as que já comemoramos.

E nas duas últimas eu achei os simbolismos muito apropriados. Na nossa bodas de trigo, tínhamos uma bebê de um pouco menos de 2 meses nos braços, e toda a intensidade que acompanha este inicio. Quando soube que o tema da bodas era trigo, logo lembrei das palavras do meu Mestre

“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer; dá muito fruto” (Jo 12.24)

E achei que isto combinava muito com o que vivíamos, tanto em nível individual quanto do nosso relacionamento, uma parte morre para poder dar frutos. E bem, talvez muita gente ache esta imagem horrível, em se tratando do campo romântico parece que as pessoas tem horror a mudanças – ainda mais se são consequências de filhos- e temos que manter acesa a “chama do inicio”, não consigo lembrar se já fui destas pessoas que possuía este horror, mas hoje eu não acredito em um amor, seja romântico ou não, que não mude com o tempo, e também não acredito na imagem dos bebês vampiros que tanto fazem propaganda por aí.

E chegamos a este ano, em que celebramos bodas de Flores e Frutas. Nosso aniversário de casamento é nas últimas semanas do inverno, em um inverno tropical onde nesta época eu já via várias coisas florescendo a nossa volta, e posso dizer que nós também. Meu profundo sentimento é de frutificação e multiplicação em muitos aspectos da vida. É uma fase tão bonita! Nunca imaginei ter estes sentimentos, atrelados com coisas tão ordinárias e ao mesmo tempo tão espirituais.

Flores e frutos, montanhas e mares
Sol, lua, estrelas nos céus a brilhar;
Tudo criaste na terra e nos ares
Todo o universo vem pois te louvar

Hino 32

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A árvore

E então chego na história desta árvore aqui, Felipe e eu caminhávamos, ainda namorados, e encontramos um antigo pé de pitanga com pitangas maravilhosas! Elas eram mais escuras que as pitangas normais, e muito mais doces. Comemos várias e guardamos as sementes. Felipe germinou as sementes, plantou em caixinhas de suco e de leite, deu algumas de presente de natal (inclusive no amigo secreto da família), e alguns meses depois veio nosso casamento. Bem, os pés de pitanga que ficaram com ele foram meio esquecidos na loucura que antecede um casamento e da mudança, e então encontrei um deles que ainda estava vivo. Criei coragem de plantá-lo no jardim da casa que alugamos. Alguns meses depois abrigamos o Popper, que acabou pisando e quebrando o galho da mudinha. E mais alguns meses o Popper nos deixa, e então a pitanga renasce. E com todos estes acontecimentos, de 2013 para cá, este foi o ano da primeira safra desta pitangueira, que nasceu de uma semente que precisou morrer para frutificar. Tão corriqueiro, tão comum, tão extraordinário.

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Foi uma colheita deliciosa. Está sendo. E sim, estou preocupada com a situação política do país, mas ainda sim, há razões.

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