Bodas de algodão

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“Lievin estava no terceiro mês de casado. Era feliz, mas não como esperava, em absoluto. A cada novo passo, encontrava uma desilusão dos antigos sonhos e um novo encanto inesperado. Liévin era feliz, mas, uma vez iniciada sua vida familiar, percebia a cada passo que ela não era de maneira alguma aquilo que havia imaginado. A cada passo, experimentava o mesmo que um homem, depois de se encantar com o movimento suave e feliz de um barquinho sobre o lago, toma assento ele mesmo nesse barquinho. Liévin percebia que não bastava sentar-se reto para não balançar – era preciso ainda refletir, não esquecer nem por um minuto para onde navegar, não esquecer que sob os pés havia água, que era preciso remar e que as mãos, sem o hábito, doíam, que só olhar era fácil enquanto que fazê-lo, embora muito prazeroso, era também muito difícil.”

pag 475 (versão da Cosac Naify)

Anna Kariênina de Liev Tolstói

Eu poderia continuar colocando os próximos parágrafos, que são destes parágrafos sensacionais, bem escritos, que fazem a gente pensar e sempre me lembram que a boa literatura é autoajuda de longo prazo. Mas vou ficar apenas neste começo, para não cansar ninguém.

Li isto e me casei um ano e meio depois, reli estes dias, casada a dois anos, e foi muito mais profundo. Pensei que as vezes, é bom vermos o barquinho de fora também, para lembrarmos além da dor nas mãos que não estão habituadas.

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