Insatisfação

“Nenhum artista tem satisfação”

Martha Graham

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Martha Graham’s advice to fellow dancer & choreographer Agnes de Mille via Miranda July.

É engraçado como as coisas funcionam, eu estou aqui lutando desde dezembro do ano passado em como lidar com um projeto que chegou ao fim. Vou confessar que foi difícil ver o resultado, a sensação é que eu queria fazer mais uma vez, para ter a experiência de ter feito e os recursos de tempo e dinheiro para poder fazer tudo mais uma vez, mas não é assim que a vida funciona.

Foi um projeto que nasceu de dentro de mim, eu sonhei com muitas coisas juntas, queria fotografar a cidade em que resido há mais de 15 anos, queria conhecer mais desta cidade, queria encontrar afetos (de certa maneira o nome deste blog nasceu do processo de pensar e escrever este projeto) por aqui, queria fotografar melhor, queria espalhar isto tudo por aí, e nos 40 – 60 dias que duraram este processo de maturação do projeto, tudo foi se descortinando diante dos meus olhos, não parecia tanto uma elaboração, mas sim uma descoberta, uma descoberta do que exatamente eu deveria fazer e então ser sincera.

Nasceu com um nome longo “Janelas que dão para outras Campinas”, a ideia porém era simples, fotografar a cidade de Campinas, transformar em cartões postais e espalha-los por aí, ajudando as pessoas a verem outras possibilidades nesta cidade que sempre parece tão desprezível nas minhas aulas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Acho que a verdade mais profunda era esta, no ambiente acadêmico em que estou, o olhar sobre a minha atual cidade sempre foi desinteressado ou duro, eu queria uma possibilidade de mudar isto, mas acho que é assunto para outro texto.

Eis que o projeto ganhou a possibilidade de existir, e junto nisto se somou uma pessoa que agregou muito ao projeto e à minha vida também, a Má, que já apareceu aqui outras vezes. Mas de certa forma a ideia nasceu dentro de mim, e esta relação teve vários momentos conturbados, a relação com a ideia do projeto foi difícil, em muitos momentos senti vergonha dele, em outros não me senti capaz.

Mas saímos, fotografamos, conversamos, editamos, e a coisa foi andando. Expor a primeira leva de cartões foi árduo, é como se expor, e isto não é fácil, mas então vem a satisfação no olhar dos outros, a surpresa, o encantamento, o questionamento… E então vem a aceitação de que este tipo de trabalho é um dialogo com o público, expor alimenta o processo criativo, ao invés de colocar um fim a ele.

Mas (quantos mas?), aprendi que ver satisfação no olhar dos outros é muito diferente de encontrar satisfação na sua própria obra. Foi minha primeira experiência nesta proporção, e eu estava me sentindo perdida com este sentimento de insatisfação, mas então li este texto hoje (graças a linda da Paula que eu nem conheço mas considero pakas) e ele me ajudou a entender que está tudo bem se você não está satisfeito. Talvez tudo isto faça parte do processo criativo, que quase sempre é um processo de inquietações e insatisfações.

Pois bem, abraço a insatisfação.

2015-09-30 038

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