23:00

Dessa vez ninguém anunciou a hora, nós só ouvimos um chorinho e então veio um corpinho quente e úmido para o meu colo. Felipe estava segurando a minha mão e chorou dizendo que dessa vez ele tinha errado, e a Joana estava certa, era uma menina.

Uma menina, nossa Lúcia!

“Ela nasceu onde morar era…”

Nasceu em casa a Lúcia. Foi tão bom!

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PRÉ-PARTO

Mas porque em casa? Veja bem, esta história começa quando eu estava grávida da Joana, e ao pensar no parto minha vontade era estar em casa sozinha com o Felipe, eu não tinha vontade de dividir este momento com mais ninguém, mas achava este meu sentimento muito primitivo/animal. Ao questionarmos a médica do pré natal da Joana sobre parto em caso, eu entendi que era uma coisa ilegal no Brasil, e então saiu de cogitação para nós. Seguimos o pré natal normalmente e por fim chegando a 42 semanas de gestação internamos para uma indução do parto. Tudo seguiu protocolos claros, fui tratada com respeito, porem o desfecho quase dramático me deixou várias questões, várias delas intelectuais e emocionais.

Quando uma amiga engravidou, fui emprestar livros para ela sobre maternidade, bebês e etc, e percebi que eu havia lido apenas um livro sobre parto, o qual eu não tinha gostado muito. Ao engravidar pela segunda vez, decidi que queria saber mais sobre o parto, porque queria entender melhor as coisas que tinham acontecido da primeira vez e estar mais preparada, nesse processo eu descobri muitas coisas sobre mim mesma, sobre parto em geral, sobre coisas que aconteceram no parto da Joana e tudo isso foi me aproximando de um parto domiciliar. Eu entendi que várias coisas que aconteceram com a Joana foram efeitos colaterais da anestesia e da indução. Entendi que minha vontade de estar em casa, de estar quieta, era algo hormonal e natural para este momento, principalmente quando pensamos em nós como mamíferas, como é o parto das outras mamíferas? Elas se refugiam, cavam buracos, se afastam dos outros, é um movimento natural este de se recolher. Foi um processo de aceitação, de aceitar e entender como tinha sido meu outro parto, de nomear o que eu não tinha gostado, de nomear quem tinha cuidado de mim naquele processo, um olhar integral. Aceitar minha vontade, meu corpo, minha natureza.

E isto tudo entremeado com um dos aspectos que mais me afastava de um parto domiciliar, ter que escolher uma equipe. Pensar nesse processo de conhecer pessoas, avaliar se estaria a vontade com elas, avaliar valores, avaliar preparo técnico me parecia tão difícil. Mas orientados por nossa querida doula Lívia fomos para uma roda de conversa sobre parto domiciliar promovido por uma das equipes da região, e foi sensacional. Foi muito bom não estar ali sozinha para ter que fazer perguntas, foi legal ouvir angustias de outros casais, ter mais elementos para ponderar e pensar.

Depois de entender todas as margens de seguranças necessárias para um parto domiciliar, entender qual o trabalho da equipe, não tínhamos nenhum motivo para não querer um parto domiciliar. Escolhemos a mesma equipe na primeira roda que fomos, e então seguimos os protocolos normais de pré-natal. Nisso tudo, tivemos zero vontade de sair compartilhando que faríamos parto domiciliar, foi um processo longo, envolveu estudo e no tanto de coisas que tínhamos para fazer, não queríamos gastar energia explicando uma escolha tão incomum nos dias de hoje.

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Foram passando as semanas, as lista de itens para o parto domiciliar com tudo check, e eu pensava o que estava por vir, meu maior medo era viver outra indução. Pesquisei em artigos científicos e nos relatos de partos querendo saber qual era a estatística, o que costumava acontecer nos partos de uma mulher que já havia vivido uma indução. E bem, encontrei pouca coisa confiável. Não sabia muito o que esperar, minha sensação era de não conhecer meu corpo e de não me conhecer. Assim eu alternava em momentos de estar aberta a aceitar o que viesse, e em momentos de ter claro o que eu queria.

Uma coisa muito legal da equipe que escolhemos, é que elas faziam o pré-natal coletivo. Então toda semana nos encontrávamos com mulheres que estavam em idade gestacional próxima, e antes da consulta individual havia um momento de partilha sobre expectativas, ansiedades e outros sentimentos. E acabávamos ouvindo relatos dos partos de quem não estava mais indo aos encontros. E eram histórias tão diversas, as vezes até mesmo para cada mulher que de fato havia tido um parto bem diferente do outro, que eu pedia a Deus para viver o que devesse viver com total entrega e paz.

Mas eu tinha lá minhas certezas, uma delas era que o parto seria apenas aos finais de semana, porque durante a semana eu ficava muitas horas sozinha com a Joana e achava que nunca aconteceria assim.

E assim, quando chegou as 40 semanas, eu criei coragem de admitir que eu não queria chegar nas 41. Eu achava que chegaria, mas eu não queria. Eu tinha certeza que chegaria, mas eu não queria. Eu falei pro Felipe. Eu orei. Eu orei mais uma vez. Eu orei várias vezes. Eu falei para os meus pais e isso iniciou uma longa conversa que envolveu choro e pedido de perdão.

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Era segunda-feira, acabou o final de semana, o bebê não tinha nascido ainda, e eu não queria que chegassem as 41 semanas, mas no próximo final de semana já seriam as 41 e eu tinha certeza que iriamos até o próximo final de semana. Mas eu comecei a sentir algumas contrações, fui tomar banho, estava confusa do que estava sentindo, com medo de ser coisa da minha cabeça, e Felipe saiu para caminhar com a Joana. Aproveitei e descansei, pensei que se fosse algo acontecendo era bom descansar. Não era nada. No final da manhã tínhamos uma avaliação com a acupunturista, para conversar sobre indução do parto e talvez já fazer uma sessão. Conversamos, entendemos como funcionava, e decidimos já fazer uma sessão. Foi tão bom, relaxei tanto. Quando acabou buscamos a Joana com a minha mãe e decidimos ir no cinema. Durante o filme eu senti mais algumas ondas/contrações mas nada com ritmo. Voltamos para casa e jantamos pizza e fomos dormir. Dormi super bem.

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Chegou a terça-feira, decidi passar o dia na casa da minha mãe, seria um bom descanso, e minha vó estava lá. Me fez um prato de batatinha frita 🙂  Depois do almoço, quando fui ao banheiro notei que o tampão mucoso estava saindo, avisei apenas o Felipe pois não queria alimentar ansiedade de ninguém, menos ainda a minha e segui a vida normalmente. Mais um noite que dormi bem.

Chegou a quarta-feira, decidi passar a manhã na casa da minha mãe junto com a minha vó. Depois do almoço vim para casa com a Joana, ela tirou uma soneca e eu deitei para dormir um pouco também.

PARTO

Acordei 15:00 da tarde com uma onda/contração, além disso uma louca vontade de comer doce, fiz um brigadeiro com cacau e comi uma parte. Fiquei um tempo sozinha tentando entender o que estava acontecendo, até que 15:30 a Joana acordou também. Expliquei para ela que as vezes eu ia ter que parar para respirar e ajudar o bebê a nascer. Ela entendeu e assim passamos o resto da tarde dando uma arrumada na casa, fazendo atividade de cortar e colar e um lanchinho, no meio disso tudo eu olhava pro relógio para ir tendo uma ideia de quanto em quanto tempo estavam vindo as ondas/contrações. Estavam durando pouco tempo mas vindo até que bem próximas. Avisei a Lívia (doula), mas ainda estava bem incerta se estava acontecendo mesmo, e não queria companhia, preferia estar sozinha e poder prestar atenção no que acontecia comigo.

Quando deu umas 17:00 entrei no banho com a Joana e as ondas/contrações continuaram, naquele momento entendi que já era o parto mesmo acontecendo (normalmente as ondas/contrações de pródromos param durante o banho), logo o Felipe chegou e tirou a Joana e eu fiquei mais um tempo ali, comecei então a fazer a visualização das flores de abrindo a cada onda/contração e a orar pedindo ajuda para Deus para tudo que eu tinha que viver e para me ajudar neste processo de abertura. Quando deu umas 17:40 eu sai do banho, avisei a equipe de enfermeiras obstetras do que estava acontecendo e fui me arrumar, colocar algumas coisas no lugar. Quando deu 18:00 lembro que olhar para o relógio durante a onda/contração me deixou irritada, não queria mais ficar controlando, pedi pro Felipe começar a fazer com o aplicativo. Então acendi a vela de lavanda, o incenso de lavanda, coloquei óleo de lavanda pela casa toda, percebi que precisava me centrar mais. Eu que adoro andar descalça quis ficar o tempo todo de chinelo e de meia. As coisas estavam realmente diferentes.

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Eu precisava parar a cada onda/contração e nisso o Felipe e a Joana me ajudavam com massagem, eu me apoiava na parede, no sofá onde fosse e pensava nas flores de abrindo enquanto fazia a respiração. Tenho uma alegria grande de lembrar destes momentos! Depois a Lívia chegou, ficou um tempo observando meu movimento e a frequência das contrações e me falou que eu estava em trabalho de parto latente. Resolvemos então ajeitar a janta, eu voltei pro banho e Lívia e Joana arrumaram um macarrão com molho a bolognesa que eu repeti umas 3 vezes, lembro de falar que queria comer mais mas que não sabia se era uma boa ideia e da Lívia dizendo que se eu queria iria me fazer bem. Nesse momento do jantar as coisas deram uma desacelerada. Mas em uma onda/contração que me ajoelhei no chão, lembro de ter certeza que a presença da Joana já estava um pouco delicada, pedi para a minha mãe buscar a Joana, e nisso já eram umas 20:00 da noite.

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Depois fui para o quarto descansar um pouco, lembro que fiquei na posição genupeitoral na cama, apoiada com travesseiros porque achei que estava um pouco rápido demais e lembrei que no livro Parto Ativo a Janet indicava estava posição quando sentíssemos que estava muito rápido e quiséssemos descansar. Fiquei ali um bom tempo, aceitando as ondas/contrações, respirando, descansando. No escuro, apenas com a vela de lavanda acesa, o Felipe fazendo massagem e a Lívia tão quieta que por muito tempo nem soube que ela estava no quarto (e meu quarto é bem pequeno). Depois de um tempo assim, achei que eu queria a banheira, mas tinha que fazer tudo, inflar a banheira e encher de água. Enquanto o Felipe a Lívia faziam isso eu voltei para mais um banho.

Durante este banho fiquei quase o tempo todo de quatro, apoiada em um banquinho, me entreguei tudo que pude, lembro de vocalizar em alguns momentos, respirar muito e então começar a sentir coisas muito intensas, percebi que estava na fase de transição (em que você dilata os últimos centímetros), dizem que é o momento de maior intensidade e ali me entreguei tudo que pude, sabia que logo depois tudo se acalmaria. De repente veio uma vontade de fazer força, achei que era muito cedo. Resolvi sair do banho, faltava muito ainda para terminar de arrumar a banheira, lembro que demorei umas 4 ou 5 contrações para chegar até o quarto e pela primeira vez eu sai do banho e não me preocupei de vestir o biquíni como das outras vezes, lembro que pensei que as coisas deviam estar chegando ao fim quando percebi que não me incomodava com minha nudez mais. No meio do caminho até do banho até o quarto concordamos que as parteiras/enfermeiras podiam vir, eram 21:30.

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No quarto mais uma vez voltei para a posição genupeitoral apoiada nos travesseiros, a Lívia trouxe mais algumas almofadas da sala pare eu ficar mais alta e ali me fez muita massagem. Quando deu 22:00 a Fernanda (enfermeira obstetra/parteira) chegou, e um pouco depois que ela chegou, durante uma onda/contração eu senti algo diferente e ouvi um crack, foi ali que começou o expulsivo. Eu quis sair daquela posição que estava, acabei ficando de quatro apoiada na bola de pilates. Então tudo ficou bem mais tranquilo, veio uma paz, uma sensação muito boa. A cada onda/contração a cabeça do bebê ia quase tudo e voltava. Nisso a Fernanda acompanhando o batimento cardíaco e eu seguindo de quatro apoios, eu nunca havia imaginado que ficaria nessa posição. Durou um bom tempo, então em algum momento eu pensei que deveria buscar uma posição mais verticalizada para ajudar o bebê a nascer, nessa busca minha perna tremia muito, odiei a banqueta, não conseguia ficar apoiada no Felipe. Por sugestão da Fernanda deitei na cama de lado e segurei a perna, a posição em si era bem menos confortável que ficar de quatro apoios, porém foi ali que em dois ou três puxos a Lúcia nasceu. Eram 23:00 horas.

(E aqui aproveito para comentar algo que me surpreendeu depois ao lembrar do parto, durante a gestação eu fiquei muito de cocoras, fazia esta posição na pratica de exercícios, usava ela para dar banho na Joana, tentava ficar muito tempo mesmo, sabia que era uma boa posição para parir, mas durante o trabalho de parto em nenhum momento eu quis ficar assim ou me lembrei dessa posição, eu apenas me lembrava desta genupeitoral e da posição de quatro, quando a Lúcia nasceu, junto com a cabeça veio um braço dela, e a Lívia comentou comigo depois que se eu estivesse de cocoras provavelmente teria tido alguma laceração. )

PUERPÉRIO

Que momento maravilhoso. Logo já vimos que era uma menina, o Felipe chorou falando que tinha errado e que a Joana tinha acertado, e assim recebi aquele corpinho quentinho e que parecia tão pequenino no meu colo. Lúcia logo mamou e ficamos ali admirados e muitos felizes. Eu me apoiei melhor na cama. Ela nasceu na minha cama, e eu juro que mesmo decidindo por um parto domiciliar eu não tinha refletido muito sobre o fato de dar a luz na minha própria cama. Foi sim maravilhoso, lembrar disso me aquece tanto o coração. E vale citar que o cheiro do parto é maravilhoso e também muito viciante.

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Fiquei ali por um bom tempo, senti mais algumas contrações para parir a placenta e não saia, precisamos fazer ocitocina de profilaxia e descobrimos que era uma placenta muito grande que não saia porque eu estava muito recostada. Lúcia foi pesada, avaliada, tudo ótimo. Eu fui avaliada, tudo ótimo também, nenhuma laceração.

Eram 2:00 da manhã e a equipe foi embora, ficamos então só nos três. Lúcia dormindo profundamente, logo Felipe dormiu e eu era incapaz de dormir, a energia do parto não é algo que vai embora tão rápido assim.

No dia seguinte logo pela manhã a Joana veio conhecer a Lúcia, que momento lindo lindo de termos vivido. Minha mãe veio, depois meu pai e também a mãe e irmão do Felipe. Estar em casa também foi maravilhoso neste momento, ter este ambiente em que se pode descansar, estar em silêncio, e viver estes encontros e reconhecimentos com calma e como parte extraordinária da vida.

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E aí eu fiquei matutando se devia escrever este relato de parto, porque escrever, a partir de que ponto da história começar a contar etc e tal, e resolvi escrever a partir do ponto que eu mais gostaria de saber, porque foi sabendo de algumas outras histórias que aumentei meu conhecimento e também aceitação com esta ideia, que parece meio louca mesmo a principio, mas que não tem nada de louca, é sim seguro, é possível sem ambulância na porta, e pode ser muito mais tranquilo para diversas mulheres.

Eu não cheguei nesse parto sozinha, muita gente para agradecer!

Aos meus pais pela vida, à minha mãe pelas suas histórias de parto que me deram tanta força. À minha vó pelo prato de batatinhas.

Ao Felipe, por fazer filhos comigo e estar aberto a mergulhar nisso tudo com profundidade.

À Lívia por ter nos guiado neste caminho e nos levado até as Auroras, e às Auroras Fer e Lilian por toda assistência e cuidado!

Às minhas amigues  por tanta escuta, troca, sorrisos, lágrimas e troca real nesse processo de maternidade. À Amanda também 🙂

À Pri Akemi por me fazer pensar sobre minha imagem e semelhança com Deus através da maternidade.

E a Ju, minha vizinha, que me contou como se sentia em pé na feira, carregando sua caçulinha e me ajudou muito mais do que ela pode imaginar.

À Janet Balaskas por ter escrito este lindo livro do Parto Ativo. E a Eliana Rigol do @maternitylivre pelo workshop gratuito de parto (não fiz o pago, mas deve ser sensacional também).

 

 

Advento

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Coroa do advento do Natal de 2017 na IPBG

 

O Natal está chegando, mas antes do Natal vem o tempo de espera pelo Natal, o Advento! Conheço esta expressão tem alguns anos já, desde que me converti, e frequentando uma igreja presbiteriana vi uma coroa do advento ser montada e a cada domingo para o natal, uma vela a mais ser acesa. Um simbolo tão bonito, algo para nos ajudar a ver a passagem do tempo, a luz que se torna cada vez maior e a refletir nessa espera.

 

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Então, depois que a Joana chegou, comecei a pensar mais sobre estes momentos, estes rituais que nos ensinam tanta coisa. E na busca por entender e conhecer mais no ano passado desenhei um presépio para ser “customizado” pelas crianças. Mas me encantei muito com uma tradição chamada A árvore de Jessé, que é uma árvore decorativa usada durante o Advento para recontar a história da Bíblia que leva ao nascimento de Jesus, e encontrei também uma chamada a A árvore de Jesus, que foi elaborada pela Rachel Chaney em 2012, com um foco maior na história de Jesus ao longo de toda a bíblia. Então para este ano consegui junto com auxílio de muitas outras pessoas tornar este material disponível em português!

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Ilustração do Thiago Costa

Você pode baixar o devocional A Árvore de Jesus para impressão ou leitura na web mesmo aqui, e a proposta é você decorar uma árvore com algum enfeite que simbolize a mensagem do dia, se quiser algo já pronto tem as ilustrações de Esther Bley 

Esperamos que este material possa abençoar muitas famílias e crianças, ao criar um ambiente de espera que nos lembre qual a verdadeira alegria e significado do Natal!

 

Que mãe eu quero ser?

04102019-IMG_7407.jpg(Eu já comecei a escrever este texto várias vezes, uma das coisas que me impedem de escrever mais aqui na internet é o fato de mudar/ampliar minhas ideias e visões, isso em muitos momentos me impedem de compartilhar as reflexões, sinto que preciso de algum tempo ruminando e meditando, e em se tratando de maternidade, sinto que preciso encontrar o tom certo de compartilhar algumas ideias, e tenho percebido que a 1ª pessoa é o tom ideal para mim, ele já começa mostrando que estou falando apenas do meu ponto de vista, com a minha voz, que são únicos, mas que podem te ajudar a ampliar o seu, ou mudar de ideia, ou começar um dialogo comigo e me ajudar nesta construção.) 

Quando me vi grávida da Joana, depois de superar o susto inicial, a primeira questão que veio de dentro foi “Que mãe eu quero ser?”. Essa questão me levou, e continua a me levar a reflexões muito intensas e profundas, principalmente porque um pouco depois dessa questão surgir, observando uma jovem mãe eu percebi que a mãe que eu seria, seria parte da pessoa que sou, e expandir a questão para “Que pessoa eu quero ser?” foi uma profunda mudança de chave do que eu vinha vivendo até então. Até então eu estava construindo um futuro, uma profissão, buscando meu diploma, casada, com amigos, frequentando uma igreja, e em muitas decisões que eu tomava poucas vezes me perguntava que tipo de pessoa aquilo me levaria a ser, mas ao mesmo tempo eu já sabia que cada escolha minha poderia mudar meu coração, mudar a essência de quem eu era.

Mas então, me ver responsável pela formação de outro ser humano me fez dar alguns passos atrás para entender melhor essa questão, para olhar minha vida e entender quem eu era, para onde estava caminhando, e que tipo de ser humano eu gostaria de estar educando. O que eu queria ensinar para essa pessoa? Como ensinar algo que eu não sei/sou?

Não foi fácil, não é fácil. É mega cansativo em muitos momentos, e então eu percebi como esse processo de amadurecimento é o que nos leva a nos tornarmos adultos, no sentindo de sabermos nossos limites e responsabilidades frentes as questões da vida. Tem sido o maior aprendizado que a maternidade tem me trazido, ao mesmo tempo que tem sido sim uma revolução na minha vida em muitas áreas, acho que a última vez que tanta coisa mudou foi quando me converti ao cristianismo, fui impactada por um amor e graça que simplesmente muita coisa não podia continuar como estava. Desta vez, considero obra divina toda esse movimento da parte de dentro que tem transbordado para tantas áreas da minha vida.

E hoje, que a Joana já tem mais de 2 anos e já tem seus momentos de independência, eu comecei a vislumbrar outro lado desta questão, a pessoa que eu sou, a adulta que eu sou não coloca uma resposta final em quem a Joana é, em quem ela será. Bem obvio quando escrito, mas nada simples de lidar no dia a dia. Ela é outra pessoa, uma criança em desenvolvimento, meu papel no nosso relacionamento é de ser a adulta da questão, é de saber colocar os limites, colocar o alimento na mesa, observar e suprir necessidades, e a lista continua. Eis então o já anunciado desafio, minha dose de responsabilidade e limite dentro desta relação, minha consciência de qual parte esta sob meu controle e qual não está.

E parece que é bem fácil perder de vista os dois pontos da questão, ser negligente com as responsabilidades e ultrapassar os limites me tornando controladora ao mesmo tempo. Saber discernir cada um destes pontos tem sido pedido de oração constante, tem sido o que tem motivado a busca por tanto conhecimento. O que permeia cada pequena situação corriqueira como uma refeição, até as grandes decisões, como a escola. Até o momento a parte mais difícil tem sido as pequenas e corriqueiras situações, aqueles em que os nossos hábitos, humor e nível de energia  parecem contribuir muito mais do que as nossas ideias, ideais e teorias, e por isso mesmo parecem tão difíceis de serem controladas e realmente transformadas.

Outono – inverno 2019

Acho que foram os 6 meses mais difíceis da minha vida, eu nunca tive que ser tão adulta, tão responsável por escolhas, por escolhas difíceis, ao mesmo tempo que me vi tão fragilizada em alguns momentos,  mas pela primeira vez fazer esta retrospectiva de fotos me ajudou a ver a beleza dos dias no meio de coisas difíceis. Teve um momento destes meses que tive que aceitar minha postura e papel na vida, e então traçar novos caminhos pela minha própria força, foi tão necessário, ao mesmo tempo em que precisei de muito esforço para algumas frases da oração “(…) seja feita a Tua vontade (…) pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre”, um caminho que precisava trilhar de autonomia e dependência. As coisas ficaram mais fáceis, e os dias mais frescos, e então fazer escolhas e continuar a ser a adulta ficou bem menos pesado.

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Ensaio de primavera

Começou nossa primavera no hemisfério sul, e então eu lembrei que este ano nos já vivemos uma primavera, de lá para cá quanta coisa aconteceu, quanta coisa cresceu!

E la estamos nos, em mais uma primavera a iniciar.

Foi uma viagem longa, mas foi no tempo de respeitar o tempo de uma criança de quase dois anos e uma grávida recém saída do primeiro trimestre, foi no nosso tempo. Foi na casa de amigos e familiares, foi impressionante ver uma natureza que se transforma tanto no espaço de um mês. Foram dias bonitos.

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Antes que venha a próxima primavera

Eu gosto muito deste espaço virtual, e estava bem triste de não ter feito meu compilado de fotos da primavera verão 2018-2019, como gosto deste exercício, sempre falo mas é sempre verdade, parar e olhar o que aconteceu, o que mudou, onde chegamos, não coloco todas as fotos aqui, mas adoro olhar minhas fotos e ter este contato com elas! Logo muda mais uma estação, e já é primavera mais uma vez.

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Festejos de 2 anos

Ano passado teve festa, festão para nossos conceitos, foi uma delícia! Porém este ano ao pensar em como seria e em qual o estágio a Joana está, a ideia de repetir a festa não pareceu muito boa, queríamos algo diferente, que fossem menos pessoas, que tivesse a oportunidade de criar memórias, de estreitar alguns laços, que fosse mais simples também.

Pensando, pensando e pensando decidimos convidar os avós e os tios para um picnic no tradicional Parque Taquaral de Campinas, fazer um passeio de bondinho, dar uma volta na caravela e então vir almoçar em casa e depois cantar um parabéns, foi delicioso!

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Foram os primeiros brigadeiros da Joana, e eu decidi que eu tinha que fazer hehe, foi o primeiro bolo assim de festa também, e ela gostou mais do morango do que do resto!

Criamos ótimos memórias com pessoas que ela ama e que amam ela, e isso tudo foi o mais legal ❤

 

 

Primeiros mil dias a des-envolver-se

Querida Joana,

Últimos dias do outono, me alegro vendo um Ipê rosa florido, aprecio as mexerica suculentas e tudo isso faz meu coração dar uma pequena palpitada, foram assim os primeiros dias logo que você chegou. Dias desse céu azul, dias que comecei a te conhecer para além dos chutinhos que eu sentia dentro de mim. E estamos aí, nessa caminhada de 2 anos de você do lado de fora, e dos seus primeiros 1000 dias, os dias dentro e os dias fora da barriga.

Dizem que estes primeiros mil dias são os mais importantes em vários aspectos do desenvolvimento de um ser humano. E outro dia sua avó me falou algo muito legal sobre esta palavra, des-envolver, deixar de estar envolvido, eu olho e vejo que é isto mesmo. Deixou de estar envolvida pelo útero e pala placenta e está cada vez menos envolvida em mim e no seu pai, mais solta de nós. Já faz quase tudo que as pessoas tinham uma ansiedade enorme para você fizesse, seu tio Andre começou a me perguntar se você andava quando tinha uns 15 dias, seu pai queria muito que você falasse, sua avó queria te levar pro parquinho e a lista pode continuar por várias e várias linhas, e agora é isso, parte destas coisas você já faz sozinha, sem a necessidade de eu estar envolta de você.

Tem sido maravilhoso e desafiador acompanhar este movimento, tem me feito reformular muita coisa do lado de fora e do lado de dentro. Não sei como sentirei nos próximos anos, mas hoje sinto que ainda é brusca a mudança dos momentos que você precisa estar envolta dos que você precisa estar sozinha, mas vejo uma consciência cada vez maior sua das diferenças destes momentos.

E o que eu desejo nestes seus dois anos? Desejo que você tenha a volta outras pessoas para quem olhar e encontrar exemplos e apoio, desejo que eu e seu pai saibamos discernir bem este processo, sem sufocar e sem desamparar, desejo que mais que tudo Deus continue te protegendo e guiando nesta caminhada só sua.

Com carinho,

da sua mãe.

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Práticas devocionais e minha experiência pessoal

Estou aqui celebrando mais um aniversário, não meu, mas de um habito que venho alimentando.

Eu sou cristã, frequento uma igreja protestante desde os 16 anos (quando me converti) e de lá para cá já tive diferentes experiencias com o que chamamos de devocional, que são exercícios da nossa fé no nosso cotidiano (minha definição bem simples). Conforme fui mudando, crescendo, amadurecendo por incrível que pareça chegou um momento em que manter este habito parecia algo incrivelmente difícil de ser levado adiante, o que me causava uma angustia. Nos, cristãos protestantes, acreditamos que isto sustenta nossa vida espiritual juntamente com a comunhão na igreja.

Chegou um momento, 2 anos atrás, que uma amiga indicou uma página do facebook, a página do Lecionário, e naquele momento, um pouco antes ou depois da Pascoa, eu baixei o folheto com as indicações das leituras e iniciei uma nova caminhada na minha vida devocional. Está sendo transformador, nem todos os dias eu li, na época estava já no final da gestação da Joana, então posso dizer que até mesmo nem todas as semanas, porém me  lembro claramente da sensação de maravilhamento daquelas leituras de antigo testamento, novo testamento e os salmos conectados com o tema da pascoa, seguido daquela sensação de eureca inicial, este ferramenta tem aberto grandes espaços na minha vida para o trabalho de Deus. 

(Se você quiser entender mais sobre o Lecionário, recomendo a leitura deste texto aqui.)

Desde então a parte que mudou completamente minha relação pessoal e espiritual foram os Salmos, eu achava eles muito difíceis, e desde que havia lido o livro “Lendo os Salmos” do CS Lewis que eu vinha buscando uma nova relação com esta parte da bíblia, mas sem grandes progressos. Mas a repetição da leitura dos Salmos proposta pelo Lecionário e sua conexão com o restante da bíblia tem sido o maior ganho ao longo deste caminho.

Os humanos são anfíbios – metade animais, metade espíritos (…) Como espíritos, pertencem à eternidade, mas como animais, habitam a temporalidade. Isso significa que, enquanto seus espíritos podem ser direcionados para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e sua imaginação estão em constante mudança – pois estar ligado a temporalidade significa passar por mudanças.

Neste processo em vários momentos me lembrava do trecho acima de Cartas de um diabo a seu aprendiz, do C.S. Lewis, que me trouxe uma nova visão sobre minha natureza, pois além deste ganho mais palpável intelectualmente em relação aos salmos, também ganhei e devo dizer ganhamos, estendendo para minha família, uma nova dimensão do tempo. O Lecionário organiza suas leituras de acordo com o ano cristão, então na leituras e reflexões estamos com o advento, o natal, a quaresma e a pascoa no coração e na mente. Esta nova dimensão do tempo, do ritmo, afetou nossas percepções dos afazeres cotidianos, das celebrações e como guardar o coração em meio a tudo que nos é apresentado exteriormente nestas estações. 

O que me faz retornar ao começo, a sensação de peso com as práticas devocionais se devia a quantas partes da minha vida estavam completamente desalinhadas com aquele momento. E não que hoje estejam todas completamente alinhadas, mas pela graça de Deus hoje eu quero que estejam.

Banca F I N A L

Chegou o dia, 13 de Dezembro de 2018, dia da Banca final de um processo que começou em março de 2011 (inicio da graduação de Arquitetura e Urbanismo), ou em março de 2018? ou em janeiro de 1989 (quando nasci)? Quando dizemos que algo começou? Quando decidir que acabou?

Este final está com um baita sabor agridoce, além de tantas questões da vida entrelaçadas com isto, tem também a sensação estranha que é chegar ao fim de algo tão grande e deixar morrer todas as outras coisas que poderiam ter sido. É uma especie de luto também. E estou aqui terminando a apresentação que farei em algumas horas e me deu vontade de escrever, de organizar os sentimentos, as ideias e os argumentos.

Argumentos iniciais

“O ato de habitar é o modo básico de alguém se relacionar com o mundo”

Juhani Pallasmaa

Todos moramos em algum lugar, é nossa segunda casca, logo após as nossas roupas. Como moramos é como nos relacionamos com o mundo. Esta é uma questão de relevância universal.

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“Quando o envelhecimento é aceito como um êxito, o aproveitamento da competência, experiência e dos recursos humanos dos grupos mais velhos é assumido com naturalidade, como uma vantagem para o crescimento de sociedades humanas maduras e plenamente integradas.”
Art 6º Plano de Madri 2002

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Qual o lugar para as pessoas idosas na nossa sociedade? Como esta relação começa dentro das suas próprias casas?

ARQUITETURA

O problema

Como pensar no usuário principal de um espaço sendo o idoso afeta as estratégias de projeto?

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Esta é uma abordagem importante, porém ela foca muito no que falta no idoso, comparado com uma pessoa jovem em plena capacidade, e não oferece exatamente uma visão humanizadora para o espaço, para agregar esta qualidade ao projeto recorri ao livro Uma Linguagem de Padrões, de Christopher Alexsander, por sugestão dos professores na primeira banca, e assim construí uma linguagem especifica para este caso, adaptando alguns dos padrões e criando outros para este caso especifico.

A humanizaçãomemorial v182

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Uma referência em termos de programa, de perfil de usuário e de questões legais, foi o programa do Estado de São Paulo Vila Dignidade, que junto a diversos outros programas faz parte do Sp Amigo do Idoso, que visa aumentar a qualidade de vida e garantir direitos básicos a idosos em situação de risco e vulnerabilidade.

A foto abaixo foi tirada em uma visita da Vila Dignidade de Limeira em Julho de 2018, e a visita trouxe importantes contribuições para entender esta realidade.

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E então nasceu o programa para a Vila das Andorinhas

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E por fim a implantação:

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A casa

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